A cultura patriarca e a normatização do machismo estrutural

Foto: Ilustrativa

A figura do Pai, por séculos maculou a importância da mulher na sociedade, o homem era o personagem central da família e não se discutia o contrário! No Brasil, essa visão prevalece e ultimamente aparece muito fortemente. Graças às redes sociais, podem-se ver e denunciar posturas truculentas e machistas que ressurgem ao longo da história marcada pelo patriarcado dos senhores, senhorios e donos de engenhos.

As mulheres são uma maioria nacional, segundo os dados da PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua). A população brasileira é composta por 48,2% de homens e 51,8% de mulheres. Porém, por    mais que as mulheres mostrem no dia-a-dia o potencial que possuem, ainda são tratadas com inferioridade e violentadas, e, pior, muitas vezes, violência essa legitimada pela estrutura social vigente. 

Os dados mostram que não tem a ver com representação numérica, mas com a falta de políticas públicas e uma mudança cultural, que começa lá na educação familiar e na escola. Só assim, vamos derrubar e desmistificar essa “massa falida’ que endurece a sociedade e ainda a torna patriarcal, machista e fálica.

O número crescente de mulheres violentadas aumenta significativamente em nosso país. O último e aterrorizador caso foi do médico que estuprou uma mulher indefesa em uma mesa cirúrgica. Será que a paciente estava produzida para uma cesariana, toda maquiada e com belas roupas? Claro que não, não tem nada a ver com a forma de se vestir da mulher, e sim com uma estrutura machista que impera socialmente.            

Outra pesquisa mostra que a violência contra a mulher ultrapassa as barreiras sociais. Não é só na linha da pobreza, ou onde falta de informação. Um estudo da União Interparlamentar, realizado em cinco regiões do mundo, traz dados sobre a violência sofrida por mulheres parlamentares. Segundo o levantamento, “82% das mulheres parlamentares sofreram violência psicológica; 67% foram insultadas; 44% receberam ameaças de morte, estupro, espancamento ou sequestro; 20% foram vítimas de assédio sexual; e outras 20% passaram por violência no ambiente de trabalho”.

Ou seja, o sistema ainda permeia uma visão patriarcal arcaica e que sustenta o machismo na sociedade.  Os dados só confirmam aquilo que muitos acham que “é coisa de feminista”, ou de mulher com postura, opinião e força como temos em nossa sociedade. Elas são violentadas na essência, ao longo dos séculos, a toda hora, em todo lugar!    

O relatório global divulgado neste ano pela Equal Measures 2030, indica que mais de 3 bilhões de meninas e mulheres ainda vivem em países com declínio ou estagnação no avanço em índices de gênero relacionados aos Objetivos de Desenvolvimento Social (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU).

Novidade nenhuma, o Brasil é um deles! Ocupando a 78ª posição no ranking que mede o progresso mundial em direção à igualdade de gênero e com 66,4 pontos nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), o país segue atrás dos vizinhos Uruguai (31%), Argentina (44º), Chile (49º) e Paraguai (74º). Em 2019, estava em 77º lugar.

Pois bem, são números que precisamos mudar urgentemente! Não se admite mais casos como o do médico anestesista estuprador, o chefe assediador, o pai, o tio, o parente molestador, o machão que se acha dono da mulher, enfim, o homem fruto do Período Arcaico (anos de 800 a.C. e 500 a.C.) onde se sugere que surgiu a primeira forma de patriarcado.   

Somos imperfeitos, mas podemos melhorar! Para o pai da psicanálise Sigmund Freud, o ser humano não é, basicamente, “hostil, antissocial, destrutivo ou mal; nem é totalmente maleável. O homem não é, essencialmente um ser perfeito, lamentavelmente deformado e corrompido pela sociedade”.

Sempre é difícil discutir a essência humana, mas oxalá um dia, consigamos construir uma sociedade melhor, mais justa, igual e menos violenta. Quem sabe o matemático grego Pitágoras esteja com razão, e da origem, pode se construir o novo: “educai as crianças para que não seja necessário punir os adultos”.