A Serra Catarinense tem belezas de sobra, mas…

Foto: Mycchel Legnaghi / São Joaquim Online

A cidade de Gramado, na Serra Gaúcha, está para o turismo de inverno como Balneário Camboriú, no Litoral Catarinense, está para o turismo de verão. As duas cidades são cobiçadas pelos turistas. Lá tem de tudo. Excelentes hotéis, restaurantes dos mais variados preços e qualidade, incontáveis ambientes de lazer, oportunidades para investimentos. E a cada dia, empresários e poder público anunciam ainda mais novos atrativos para encantar, cada vez mais, milhões de turistas em todas as épocas do ano.

Gramado e Balneário Camboriú foram transformadas em cidades vetores do desenvolvimento econômico em suas regiões. Estas duas cidades, uma no Rio Grande do Sul e outra aqui em Santa Catarina, puxaram o desenvolvimento regional. Na esteira de Gramado, estão Canela e Nova Petrópolis, apenas para citar dois exemplos de cidades que têm crescido a olhos vistos. No nosso Litoral, Itajaí e Itapema recebem investimentos e turistas quase que na mesma medida das cidades gaúchas.

Mas e a Serra Catarinense, com Bom Jardim da Serra, Urubici, São Joaquim, entre outras, que são ambientes naturalmente mais encantadores e belos, porque o crescimento econômico, o desenvolvimento regional, a atração por investimentos, não experimenta a mesma medida da Serra Gaúcha? Pergunta de difícil resposta. O turismo de inverno precisa de frio, dias com neve. Precisa de belezas naturais, de cânions, cachoeiras, mata nativa, planícies e planaltos, pinheirais. Tudo isso, e outros ingredientes ainda mais a Serra Catarinense tem. Locais de contemplação para o nascer e o pôr do Sol, por exemplo.

O que falta na Serra Catarinense é algo além destas atrações que a natureza nos brindou. Faltam mais e melhores cafés, restaurantes típicos, diferenciados. Faltam ruas cobertas, faltam museus, ambientes de exposições, de visitações. Não há investimento em parques para crianças, que os adultos também possam aproveitar. Estamos confiantes que a Serra já se basta pelas belezas naturais. Mas o turista quer mesmo é experimentar ambientes diferenciados, lugares que possibilitem confraternizações familiares. Lugares de encontros, que muitas vezes não são possíveis nas cidades onde as pessoas vivem e trabalham.

Um quesito no turismo é essencial: Sair de casa faz toda a diferença. E a Serra Catarinense, carente de investimentos públicos, dos municípios, do Estado e da União, e também da iniciativa privada, precisa oferecer mais. Enquanto o turista for aquele cidadão que pega a família e passa um dia na Serra, a região não vai decolar. A atração do turista já é feita. Apenas e tão somente pelas belezas naturais. Agora é preciso investir em ambientes que façam este mesmo turista ficar mais do que um dia ou um final de semana neste ambiente, que é dos mais extraordinários do país.