Tuba-nharô: mais um aviso do “Pai Feroz”

Foto: Pedro Garcia/UNITV

Para falar dos últimos acontecimentos envolvendo a atual e trágica enchente de maio de 2022 na cidade de Tubarão, precisamos dizer que uma junção de forças evitou que “coisa pior acontecesse”, como vinha sendo mostrado por todos centros meteorológicos.   

Foram dias e noites de tensão e, a cada momento ou atualização do Grupo de Ações Coordenadas da Defesa Civil (GRAC), aumentava a sensação de que o fantasma da destruição iria assombrar mais uma vez Tubarão.

É bom lembrar que não tivemos vítimas, mas por outro lado, um enorme e incalculável prejuízo. Famílias perderam tudo, ruas foram destruídas, pontes danificadas. O Rio Tubarão, provocado pelas fortes chuvas, acordou de seu leito e mostrou mais uma vez sua força. Após a calmaria, ficou o rastro de destruição e desespero, principalmente para quem perdeu tudo da noite para o dia.

Mas, por que invocar a história? Ora, a Cidade Azul teve sua origem às margens do rio Tubarão, que deriva de “Tuba-nharô”, que em tupi-guarani, significa “Pai Feroz”.

Fazendo uma analogia, o pai muitas vezes fica bravo, pois de tanto orientar, alertar o filho, perde a paciência, até que um dia, deixa-o provar de suas vontades, arcar com as próprias escolhas e consequências. Não foi diferente com relação ao Rio Tubarão, o nosso “pai feroz”, que após deixar tantos avisos, acabou por se enfurecer!

É só lembrar das infindáveis reuniões sobre as ações que poderiam ser feitas para melhorar a calha do rio, a tão falada redragagem, a abertura da Barra do Camacho, que como uma reprise patética, de 1974, teve que ser emergencialmente aberta, em meio à tempestade. Todas essas ações são projetos que já poderiam terem sidos concretizados.

Não se quer aqui, achar culpados, pelo contrário, é momento de enaltecer aqueles que lutaram incansavelmente para minimizar o sofrimento das pessoas que tiveram seus sonhos, trabalho e dignidade levados pela força das águas.

Agora é tempo de solidariedade, de recomeço, de dar as mãos para que mais uma vez possamos nos reerguer. Todavia, é preciso dizer que não se deve esperar que o rio Tubarão se levante do seu leito novamente. Ações concretas, planejadas e sustentáveis devem ser pensadas já!

Afinal de contas o pai é bom, mas, não avisa sempre!