Advogada defende cultura da mediação para reduzir conflitos e fortalecer o diálogo no Brasil
Foto: Reprodução/ UNITVSC

O programa Educação e Segurança recebeu a advogada e professora Gisele Martins para uma conversa sobre mediação de conflitos, cultura do litígio e os desafios de construir uma sociedade mais voltada ao diálogo. Especialista na área, Gisele falou sobre a necessidade de transformar a formação jurídica e ampliar práticas de resolução pacífica de conflitos.

Durante a entrevista, a professora relembrou sua trajetória acadêmica, iniciada na Unisul, em Tubarão, onde se formou em Direito no ano 2000. Depois da graduação, seguiu carreira acadêmica em Florianópolis, atuando na pós-graduação, no mestrado e posteriormente na docência universitária.

Segundo ela, o contato com a mediação surgiu ainda durante o mestrado, quando passou a pesquisar modelos adotados na Argentina. Na época, o Brasil ainda não possuía legislação específica sobre mediação, o que despertou seu interesse pelo tema.

Ao longo da conversa, Gisele Martins afirmou que a cultura jurídica brasileira ainda é fortemente baseada no conflito. Para ela, muitos estudantes ingressam no curso de Direito motivados pela ideia do litígio e da disputa judicial, enquanto práticas de diálogo e pacificação acabam ficando em segundo plano.

A advogada destacou que essa postura contribui diretamente para a sobrecarga do Poder Judiciário e para o prolongamento de conflitos que poderiam ser resolvidos de maneira consensual. Como exemplo, citou disputas familiares e inventários que permanecem anos em tramitação por falta de diálogo entre as partes.

Segundo a especialista, a mediação funciona como um método de facilitação da comunicação, em que as próprias partes envolvidas constroem uma solução para o conflito, sem a imposição de decisões por terceiros. Nesse processo, o mediador atua como facilitador do diálogo, utilizando técnicas específicas de escuta e condução das conversas.

Gisele também comentou que a formação adequada dos profissionais é um dos principais desafios para o fortalecimento da mediação no país. De acordo com ela, muitos advogados ainda são preparados exclusivamente para a lógica do confronto judicial.

A professora ressaltou, porém, que o cenário vem mudando gradualmente. Faculdades de Direito já começam a incluir disciplinas voltadas à mediação e às práticas colaborativas, além do crescimento de escritórios que mantêm núcleos específicos para resolução consensual de conflitos.

Outro ponto defendido durante a entrevista foi a importância da educação desde a infância para estimular uma cultura de diálogo. Para Gisele Martins, a mediação precisa ser trabalhada também nas escolas e nas relações familiares, permitindo que as futuras gerações desenvolvam habilidades de escuta, negociação e convivência.

A especialista ainda destacou que a mediação exige paciência, preparo técnico e capacidade de não se envolver emocionalmente nos conflitos apresentados. Segundo ela, alguns casos podem exigir várias sessões até que as partes consigam chegar a um entendimento.