A investigação sobre a queda de um balão tripulado que deixou oito mortos em Praia Grande, no Sul de Santa Catarina, terminou 2025 sem a responsabilização de culpados. Considerado o acidente mais grave da história do balonismo no Brasil, o caso ocorreu em 21 de junho, quando um balão com 21 pessoas a bordo pegou fogo em pleno voo e caiu após uma sequência de falhas e tentativas de escape.
O inquérito policial foi concluído em outubro sem indiciamentos, mas acabou reaberto em novembro, sob comando de um novo delegado, após questionamentos do Ministério Público.
Incêndio em voo causou mortes por queda e carbonização
O acidente aconteceu em uma manhã de sábado, em condições climáticas consideradas favoráveis. Pouco depois da decolagem, o balão começou a pegar fogo ainda no ar. Segundo a Polícia Civil, o extintor presente no cesto não funcionou.
Com o início da descida, parte dos ocupantes conseguiu saltar quando a estrutura estava próxima ao solo. Ao ficar mais leve, o balão voltou a subir. Quatro vítimas se jogaram de uma altura estimada em 45 metros e morreram na queda. Outras quatro permaneceram no cesto, que acabou despencando em chamas, resultando em mortes por carbonização.
Ao todo, 13 pessoas sobreviveram.
Tragédia ocorreu na chamada “Capadócia brasileira”
O acidente ocorreu em Praia Grande, município conhecido nacionalmente como a “Capadócia brasileira”, em razão das formações rochosas e da forte atividade turística ligada aos voos de balão. Imagens do balão em chamas e de pessoas pulando da estrutura circularam nas redes sociais e repercutiram na imprensa nacional e internacional.
Veículos como The New York Times, BBC, El País e Clarín noticiaram o caso, classificando o episódio como uma das mais graves tragédias recentes envolvendo balonismo turístico.
Inquérito inicial não apontou conduta criminosa
Após ouvir mais de 20 pessoas, incluindo o piloto e sobreviventes, a Polícia Civil concluiu inicialmente que o conjunto de provas não indicou a existência de conduta humana dolosa ou culposa que tivesse causado o incêndio durante o voo.
O relatório final apontou que, embora tenha havido falhas e circunstâncias graves, não foi possível identificar responsabilidade criminal direta.
Investigação foi reaberta em novembro
Um mês após o encerramento do inquérito, a investigação foi reaberta. A retomada ocorreu um dia após a exoneração do delegado que conduzia o caso até então. O delegado André Coltro assumiu a delegacia de Santa Rosa do Sul e passou a comandar a nova fase da apuração.
Segundo a Polícia Civil, novas diligências estão sendo realizadas a pedido do Ministério Público, que busca esclarecer pontos ainda considerados sensíveis na investigação.
Tragédia motivou mudanças nas regras do balonismo
O acidente também provocou mudanças regulatórias no setor. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) anunciou novas regras de transição para o balonismo comercial no Brasil, que passam a valer a partir de 1º de dezembro de 2025.
As normas estabelecem critérios mínimos de segurança, exigências para qualificação de pilotos, tipos de balões permitidos e procedimentos obrigatórios para operadores da atividade.
Destino turístico e impacto local
Com cerca de 8,2 mil habitantes, Praia Grande tem no balonismo sua principal atividade econômica. Segundo a Secretaria Municipal de Turismo, são cerca de 600 voos por mês, totalizando mais de 7,5 mil voos por ano.
Desde o início da prática na cidade, em 2017, mais de 50 mil voos foram realizados. A tragédia de junho foi o primeiro acidente com mortes registrado no município, embora outras ocorrências sem vítimas fatais já tenham sido relatadas nos últimos anos.






