O Museu Ferroviário de Tubarão promove de 12 a 27 de março de 2026, a exposição individual “Matéria Instável”, do artista visual Alvaro Piuco. A abertura da exposição acontece no dia 12 de março, às 19h, com uma roda de conversa com o artista. A realização é do Ateliê Alvaro Piuco, em parceria com o Museu Ferroviário de Tubarão e a visitação é gratuita.
Exposição Individual de Alvaro Piuco
“Matéria Instável” é uma investigação visual sobre o corpo como território de tensão entre sustentação e colapso. Organizada em três núcleos curatoriais: Arquitetura e Exposição da Matéria, Corpo como Matéria Residual e Fluxo e Transitoriedade, a exposição constrói um percurso que atravessa organização espacial, falência simbólica e permanência material.
A mostra parte da compreensão da instabilidade não como exceção, mas como condição estrutural da existência contemporânea. Em obras organizadas majoritariamente em dípticos, trípticos e polípticos, Piuco tensiona formatos historicamente associados à narrativa religiosa, esvaziando-os de qualquer promessa redentora. Não há transcendência, há insistência.
A arquitetura, no primeiro núcleo, surge como estrutura que promete ordem, mas apenas evidencia vulnerabilidades. No segundo, a mediação espacial desaparece e o corpo assume centralidade absoluta (ampliado, deformado, comprimido) como matéria que persiste quando sistemas falham. No terceiro núcleo, carne e osso coexistem como estados de uma mesma condição transitória, revelando a permanência como insistência precária.
A fragmentação dos suportes, o uso de papéis com vestígios de uso, como papel kraft, enciclopédias e mapas escolares e a sobreposição de camadas reforçam a ideia de tempo, desgaste e falha estrutural. O suporte deixa de ser neutro e passa a integrar a narrativa material da obra.
Segundo o artista, sua pesquisa dialoga com uma leitura contemporânea do niilismo, especialmente a partir de Friedrich Nietzsche, compreendido não como negação da vida, mas como reconhecimento histórico da falência das promessas de estabilidade e transcendência. A obra não busca oferecer respostas conciliatórias, mas sustentar o fazer artístico como gesto necessário diante da instabilidade.






