Santa Catarina aumenta em mais de 500% as cirurgias bariátricas na rede pública
Foto: Jonatã Rocha/ Secom

Santa Catarina registrou um aumento expressivo no número de cirurgias bariátricas realizadas na rede pública. De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde (SES), em 2025 foram feitos 2.228 procedimentos nos hospitais estaduais, número 550% maior que em 2022, quando foram registradas 343 cirurgias.

Desde 2023, já são 3.815 cirurgias realizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em pacientes com indicação médica. O crescimento tem sido contínuo: foram 410 procedimentos em 2023, 834 em 2024 e mais de dois mil em 2025.

Além do aumento no número de cirurgias, também houve ampliação da rede hospitalar habilitada para o procedimento. Em 2022, seis hospitais realizavam a bariátrica pelo SUS. Em 2025, esse número passou para nove unidades, garantindo atendimento em todas as regiões do estado.

Atualmente, realizam o procedimento os seguintes hospitais: Hospital Geral Tereza Ramos; Hospital Regional Hans Dieter Schmidt; Hospital Regional Homero de Miranda Gomes; Hospital Universitario; Hospital Santo Antonio; Hospital Azambuja; Hospital Dom Joaquim; Hospital Sao Vicente de Paulo; e Hospital Sao Miguel. As três últimas unidades passaram a integrar a rede estadual nesta gestão.

O hospital que mais realizou cirurgias foi o Hospital Dom Joaquim. A unidade começou a fazer o procedimento em abril de 2024 e, até o fim daquele ano, contabilizou 281 cirurgias. Em 2025, foram 1.337 pacientes atendidos.

Na sequência, também se destacam o Hospital Regional Hans Dieter Schmidt, com 552 cirurgias desde 2023; o Hospital Sao Miguel, com 546; e o Hospital Santo Antonio, com 490 procedimentos no mesmo período.

Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, a ampliação busca reduzir filas e garantir que pacientes com indicação médica tenham acesso ao tratamento em todas as regiões catarinenses.

Qualidade de vida

Três meses após realizar a cirurgia bariátrica no Hospital Regional Hans Dieter Schmidt, a agente de registros Naline Pires da Silva Borges já percebe os benefícios de uma saúde renovada. Diagnosticada com diabetes e hipertensão quando pesava 122 quilos, ela já perdeu 17 quilos e segue em busca do peso ideal, com a meta de eliminar pelo menos mais 20 quilos.

“Hoje, o mais importante para mim e para a minha família é não precisar mais tomar medicamentos para diabetes e hipertensão. Além disso, fui muito bem orientada durante todo o processo. Tive acompanhamento de nutricionista, psicóloga e da equipe de enfermagem, que explicou com detalhes tudo o que iria acontecer antes da cirurgia”, relata Naline, ao destacar o acompanhamento no pré e pós-operatório.

Foto: Jonatã Rocha/SecomGOVSC

Onde buscar atendimento

O sistema público de saúde catarinense conta com uma rede de assistência, vinculada à Linha de Cuidado a Pessoas com Sobrepeso e Obesidade, que envolve ações desde a Atenção Primária à Saúde (APS) até a Atenção Especializada. A pessoa com obesidade deve procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima, onde será avaliada e, se houver indicação de atendimento especializado, encaminhada para o hospital de referência.

O cirurgião do aparelho digestivo do Hospital Regional Hans Dieter Schmidt, Rui Celso Vieira, explica que, para haver indicação de cirurgia bariátrica, o paciente precisa ter realizado pelo menos dois anos de tratamento clínico convencional para perda de peso, sem sucesso. Outros critérios envolvem o índice de massa corporal (IMC), a presença de comorbidades e a avaliação de profissionais de diferentes especialidades.

“Além do benefício do emagrecimento, a cirurgia serve para redução de doenças metabólicas, uso de medicamentos, de hipertensão, de problemas articulares, ou seja, há uma redução de todas as comorbidades que o paciente possa ter”, explica o médico.

Doença crônica não transmissível, a obesidade afeta pessoas de todas as idades e tende a piorar com o passar dos anos, caso o paciente não seja submetido a um tratamento adequado e contínuo. A condição reduz a qualidade de vida e pode causar diabetes, doenças cardiovasculares, problemas nas articulações, depressão e alguns tipos de câncer.