A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de aplicar uma tarifa de 50% sobre todos os produtos importados do Brasil já provoca forte reação no mercado e entre representantes do setor produtivo. O anúncio feito nesta semana preocupa empresários brasileiros, pode causar perdas de emprego no país e ainda impactar o bolso do consumidor americano, especialmente em itens como café, carne bovina e suco de laranja.
A medida tem efeito direto sobre as exportações de petróleo, aço, café, carne bovina, suco de laranja e até aeronaves, que estão entre os principais produtos brasileiros vendidos aos EUA. Com a nova taxa, empresas brasileiras alertam que parte das exportações pode se tornar inviável, forçando uma busca por novos mercados e, ao mesmo tempo, abrindo espaço para a perda de receitas e de postos de trabalho.
Segundo o economista Robson Gonçalves, da FGV, o impacto vai além do comércio exterior. Com o dólar em alta, a inflação no Brasil tende a subir, o que pressiona o Banco Central a manter os juros elevados. Isso pode frear a economia e até levar o país a uma recessão. O real já se desvalorizou com o anúncio da tarifa, refletindo a preocupação dos investidores.
Nos Estados Unidos, a situação também é preocupante. O país importa cerca de um terço de todo o café que consome do Brasil. Com o novo imposto, o produto tende a ficar mais caro, já que outros fornecedores não têm capacidade de suprir essa demanda. Algo semelhante acontece com o suco de laranja, que depende fortemente da produção brasileira. A carne bovina também sofre pressão: o rebanho nos EUA está em queda, e a importação de carne do Brasil vinha sendo uma alternativa mais barata.
Apesar disso, analistas como Sara Paixão, da InvestSmart, afirmam que o impacto na economia americana pode ser limitado, já que o Brasil representa apenas 1,4% das importações totais dos EUA. No entanto, o setor de alimentos e bebidas deve sentir os efeitos. Além disso, há temor de que essa medida afaste os EUA de blocos comerciais e aproxime países como os do Mercosul de outras economias.
O governo brasileiro ainda não se pronunciou oficialmente sobre possíveis retaliações ou negociações, mas entidades como a Associação Brasileira das Exportadoras de Carne e a CitrusBR classificaram a tarifa como prejudicial para ambos os lados e alertaram para o risco de rompimento de parcerias comerciais de longa data.
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