A Polícia Civil de Santa Catarina finalizou o inquérito que investigou o acidente ocorrido durante o evento automobilístico “Subida da Montanha”, em Grão-Pará, no dia 22 de agosto de 2025. A tragédia resultou na morte de uma mulher e deixou duas pessoas feridas durante uma exibição realizada em via pública.
De acordo com informações da Delegacia de Polícia da Comarca de Grão-Pará, responsável pela apuração, o acidente aconteceu durante uma apresentação na Rua Nereu Ramos, no centro da cidade. Um veículo Porsche 911 Carrera, conduzido por um dos pilotos participantes, perdeu o controle e ultrapassou a área delimitada para o evento, atingindo parte do público que acompanhava a atividade.
O inquérito reuniu depoimentos, imagens, laudos periciais e análises técnicas, descartando falha mecânica no automóvel. As perícias apontaram que o carro estava a mais de 100 km/h no momento do impacto — uma velocidade incompatível com o trecho urbano onde a demonstração era realizada.
Embora os depoimentos iniciais negassem incentivo a manobras arriscadas, a investigação identificou registros audiovisuais que comprovam orientações aos pilotos para atingirem até 150 km/h durante a exibição. Além disso, a Polícia Civil constatou que o evento foi promovido sem autorização das autoridades competentes e sem estrutura técnica de segurança adequada.
As barreiras de contenção eram precárias e insuficientes para proteger o público, que contava inclusive com crianças e adolescentes entre os presentes. Segundo o relatório final, ficou evidenciado que o condutor e os organizadores tinham plena consciência do risco envolvido e assumiram voluntariamente o perigo, o que caracteriza dolo eventual.
Diante das conclusões, o delegado responsável indiciou o piloto e seis organizadores pelos crimes de homicídio doloso e lesão corporal dolosa. O inquérito será encaminhado ao Ministério Público nesta quinta-feira (6), que deverá analisar o caso e adotar as medidas judiciais cabíveis.
O evento “Subida da Montanha” era promovido como uma atração automobilística regional e não possuía, segundo a polícia, o credenciamento ou a estrutura mínima exigida para competições desse tipo.






