Túneis pré-históricos de 10 mil anos são descobertos durante obra no Sul de SC
Foto: Reprodução/NSC TV

Uma descoberta chamou a atenção no Sul de Santa Catarina: paleotocas em Santa Catarina foram identificadas durante o alargamento de uma estrada em Lauro Müller. Os túneis subterrâneos, com cerca de 10 mil anos, foram escavados por animais pré-históricos da megafauna.

O achado ocorreu após uma moradora perceber a estrutura incomum no terreno e acionar especialistas, que confirmaram a origem científica das formações.

De lenda local à explicação científica

Inicialmente, a descoberta foi cercada por curiosidade e até crenças populares. A moradora Simone Cattaneo Betti relatou que, ao encontrar o túnel, imaginou que poderia se tratar de uma passagem ligada a um suposto tesouro antigo, baseado em histórias da região.

Segundo a lenda, uma família teria enterrado seus bens antes de morrer durante uma epidemia, o que alimentou a expectativa de que o túnel levasse a riquezas escondidas.

No entanto, a análise de especialistas trouxe uma explicação diferente. De acordo com o geólogo Gustavo Simão, trata-se de paleotocas — túneis escavados por animais gigantes durante o Período Pleistoceno.

Estruturas revelam presença da megafauna

As paleotocas em Santa Catarina são consideradas importantes registros da megafauna que habitava a região há milhares de anos. Entre os animais responsáveis pelas escavações estão tatus gigantes, que podiam chegar a 500 quilos, e preguiças gigantes, que alcançavam até seis toneladas.

A identificação dessas estruturas foi possível a partir de características como o formato dos túneis, o tipo de solo arenítico e o relevo local.

Além disso, marcas nas paredes — como arranhões deixados por garras — ajudam a confirmar a origem das escavações, mesmo na ausência de fósseis.

Região já registra outras paleotocas

A descoberta em Lauro Müller se soma a outros registros na região do Geoparque Caminhos dos Cânions do Sul, onde cerca de 30 paleotocas já foram catalogadas em municípios como Morro Grande, Jacinto Machado e Timbé do Sul.

Segundo especialistas, cada nova estrutura encontrada contribui para ampliar o conhecimento sobre o comportamento e a distribuição desses animais extintos.

Área protegida e novos estudos

Após a identificação, o local foi isolado e passou a ser protegido por legislação federal. A expectativa é que novas pesquisas sejam realizadas para aprofundar o entendimento sobre a formação e possível uso dessas estruturas ao longo do tempo.