Duas cidades da região estão entre os 50 municípios catarinenses com maior proporção de famílias em risco grave de insegurança alimentar. Imbituba aparece na 34ª posição do estado, enquanto Garopaba ocupa o 42º lugar. Os dados fazem parte de um levantamento elaborado pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) para identificar vulnerabilidades e avaliar a estrutura das políticas públicas de segurança alimentar nos municípios.
Em Imbituba, são 124 famílias classificadas em situação de risco grave, o equivalente a 6,1% das famílias consideradas pelo indicador. Em Garopaba, são 98 famílias, correspondendo a 5,9%.
O levantamento considera o Indicador de Risco de Insegurança Alimentar Grave (CadInsan), elaborado a partir de dados do Cadastro Único. A classificação representa uma estimativa de risco e não significa que todas as famílias tenham sido entrevistadas individualmente ou estejam necessariamente passando fome naquele momento.
Em todo o estado, o estudo identificou 10.252 famílias em situação de risco grave de insegurança alimentar. A condição está relacionada a uma restrição severa no acesso aos alimentos e à possibilidade de convivência com a fome.
Tubarão e Laguna têm plano de segurança alimentar
O cenário regional também apresenta diferenças na estrutura das políticas públicas. Tubarão e Laguna estão entre os apenas 24 municípios catarinenses que possuíam, em abril de 2026, um Plano Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional vigente.
O diagnóstico do MPSC cita Tubarão por iniciativas relacionadas ao fortalecimento da agricultura familiar e ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), além da atuação do Banco de Alimentos na captação e redistribuição de excedentes.
Laguna também possui plano municipal instituído, sendo apontada no levantamento pela estruturação do planejamento relacionado à garantia do direito à alimentação adequada.
Já Imaruí não possui Plano Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional vigente. A cidade não aparece entre os 50 municípios com maior proporção de famílias em risco grave.
A ausência de planejamento também atinge outros municípios da AMUREL. De acordo com o levantamento regional, Armazém, Braço do Norte, Capivari de Baixo, Grão-Pará, Gravatal, Jaguaruna, Pedras Grandes, Pescaria Brava, Rio Fortuna, Sangão, Santa Rosa de Lima, São Ludgero, São Martinho e Treze de Maio também não possuíam plano municipal vigente.
Apenas 24 municípios têm plano vigente
O levantamento mostra que a estruturação da política de segurança alimentar ainda é limitada em Santa Catarina. Dos 295 municípios do estado, apenas 50 haviam aderido ao Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SISAN) em abril de 2026. Somente 24 tinham Plano Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional vigente.
Entre os municípios com maior proporção de famílias em risco estão Entre Rios, com 19,7%; Rio Rufino, com 11,8%; Bom Jardim da Serra, com 10,8%; Treviso, com 10,5%; e Ipuaçu, com 10,4%. Em números absolutos, Florianópolis concentra o maior número, com 1.705 famílias, seguida por Lages, com 695, e Itajaí, com 601.
O estudo foi elaborado pelos Centros de Apoio Operacional dos Direitos Humanos e Terceiro Setor (CDH) e da Saúde Pública (CSP) do MPSC. O material foi encaminhado às Promotorias de Justiça que atuam nos municípios com indicadores considerados mais preocupantes e deverá subsidiar a identificação de possíveis falhas e a adoção de medidas em cada realidade local.
Entre os pontos que podem ser avaliados estão a existência e a capacidade de atendimento de restaurantes populares, cozinhas comunitárias ou solidárias, bancos de alimentos e programas de distribuição de alimentos, além da adesão ao SISAN, da estrutura de governança e da previsão de recursos para a área.
O diagnóstico também chama atenção para a relação entre vulnerabilidade alimentar e população em situação de rua. Segundo dados reunidos pelo MPSC, o número de pessoas nessa condição cadastradas no CadÚnico em Santa Catarina passou de 1.774, em 2015, para 8.824, em 2023.






