Justiça condena treinador de SC a mais de 70 anos de prisão por abusos em escolinha
Foto: Ilustrativa/ TJSC/ Divulgação/ UNITVSC

A Justiça de Santa Catarina condenou um treinador de equipes amadoras de futebol do Oeste do estado a uma pena que soma 65 anos de reclusão e oito anos e seis meses de detenção.

A sentença é fundamentada em crimes de abuso sexual, aliciamento e perseguição cometidos contra atletas com idades entre 10 e 14 anos. Os episódios ocorreram entre os anos de 2023 e 2024, utilizando a estrutura de uma escolinha esportiva como fachada para a aproximação com as vítimas.

De acordo com a decisão judicial, o réu estabelecia uma relação de falsa proteção para ganhar a confiança dos adolescentes e de seus familiares. Para manter o controle sobre os jovens, o treinador oferecia benefícios materiais, como aparelhos celulares, chuteiras, roupas de marca e dinheiro, além de prometer vantagens dentro de campo, como a titularidade e a braçadeira de capitão.

Essa dinâmica servia para criar um vínculo de dependência e silenciar as vítimas por meio de manipulação psicológica e chantagem emocional.

A investigação apurou que os abusos eram geralmente praticados em locais isolados, para onde o homem levava os menores de moto. O processo reúne relatos que descrevem como o acusado utilizava regras implícitas de lealdade para impedir que os jovens relatassem o que estava acontecendo.

Além dos crimes de natureza sexual, a condenação também abrange o envio de pornografia infantil em grupos de mensagens e a perseguição persistente a alunos que tentavam se afastar do convívio com o treinador.

Os danos causados ficaram evidentes nos depoimentos dos responsáveis, que relataram sinais de alerta como choro frequente, isolamento social e resistência em frequentar os treinamentos.

Diante da gravidade e da reiteração das condutas, o magistrado manteve a prisão preventiva do réu, negando o direito de recorrer em liberdade. A sentença também estabelece o pagamento de indenizações por danos morais às vítimas, com valores fixados entre R$ 10 mil e R$ 20 mil.

O caso tramita em segredo de justiça e cabe recurso ao Tribunal de Justiça de Santa Catarina.