O sofrimento emocional entre crianças e adolescentes tem crescido em Santa Catarina, acompanhando uma tendência nacional. Dados da Secretaria de Estado da Saúde indicam que, apenas em 2025, cerca de 900 jovens com menos de 18 anos precisaram de internação por questões de saúde mental.
O cenário preocupa autoridades e especialistas, especialmente diante da falta de um levantamento completo da demanda por atendimento especializado no estado, principalmente na área de psiquiatria pediátrica.
Ministério Público cobra diagnóstico da demanda
Diante da alta nos casos, o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) ajuizou uma ação civil pública para que seja reconhecida a deficiência da Atenção Especializada em saúde mental.
A medida tem como foco principal a demora no acesso a consultas em psiquiatria pediátrica, com destaque para a macrorregião da Grande Florianópolis.
Segundo o órgão, ainda não há dados consolidados sobre o número de crianças e adolescentes que aguardam atendimento. Isso indica que a demanda real pode ser ainda maior do que a registrada oficialmente.
Casos crescem e começam mais cedo
O aumento dos atendimentos em saúde mental entre crianças e adolescentes já supera o de adultos no Brasil, segundo especialistas. O fenômeno indica que o sofrimento emocional tem começado cada vez mais cedo.
Sintomas como ansiedade, irritação, dificuldade de atenção e isolamento nem sempre são reconhecidos como sinais de alerta por pais e cuidadores.
Ambiente familiar influencia o desenvolvimento
Especialistas apontam que o ambiente em que a criança cresce tem impacto direto no desenvolvimento emocional e cognitivo.
De acordo com o psicólogo e neuroterapeuta Gastão Ribeiro, situações de tensão constante podem gerar o chamado estresse tóxico, que altera a estrutura do cérebro.
Esse processo ativa áreas ligadas ao medo e interfere em funções como memória, aprendizagem e atenção.
Risco de medicalização e necessidade de análise
Com o aumento dos diagnósticos, cresce também o uso de medicamentos para tratar sintomas como ansiedade e agitação.
Especialistas alertam que, embora a medicação seja necessária em alguns casos, é preciso cautela para evitar diagnósticos precipitados.
Impactos das experiências na infância
Estudos internacionais, como a pesquisa sobre Experiências Adversas na Infância (ACEs), mostram que situações como violência doméstica, negligência e conflitos familiares aumentam o risco de doenças físicas e mentais ao longo da vida.
O impacto é cumulativo: quanto maior o número de experiências negativas, maior a probabilidade de problemas como depressão, ansiedade, doenças cardiovasculares e até redução da expectativa de vida.
Papel dos adultos é fundamental
Especialistas são unânimes ao afirmar que crianças não conseguem regular sozinhas suas emoções.
Elas dependem da presença de adultos emocionalmente disponíveis para aprender a lidar com sentimentos.
No entanto, o cenário atual também mostra adultos sobrecarregados. Em 2025, mais de meio milhão de brasileiros se afastaram do trabalho por transtornos mentais, segundo dados da Previdência Social.
Para os especialistas, há uma relação direta entre o adoecimento emocional de adultos e o aumento dos casos entre crianças e adolescentes.
Desafio vai além do tratamento
Além de ampliar o acesso a serviços especializados, especialistas defendem a necessidade de compreender as causas do sofrimento emocional.
O comportamento infantil, muitas vezes, é apenas um sinal de questões mais profundas.
A análise do contexto familiar, social e emocional é apontada como essencial para um cuidado mais eficaz






