A cidade de Tubarão foi um dos alvos de uma importante ação da Polícia Civil deflagrada nesta terça-feira (10) para desarticular um esquema de corrupção em editais públicos. A chamada Operação PHD busca esclarecer como um grupo organizado conseguia manipular a escolha de bolsistas em projetos de ciência e tecnologia no estado.
Segundo as investigações, o prejuízo aos cofres públicos pode chegar a R$ 20 milhões, considerando apenas dois dos processos seletivos analisados pela Diretoria Estadual de Investigações Criminais.
O esquema funcionava a partir da interferência de um servidor público que atuava diretamente na avaliação dos candidatos. Ele utilizava sua posição para beneficiar familiares e conhecidos, garantindo que pessoas ligadas ao grupo fossem aprovadas mesmo sem cumprir todos os requisitos. Esse funcionário já foi afastado do cargo após a própria instituição que libera os recursos notar as irregularidades e denunciar o caso às autoridades.
Além da manipulação nos nomes escolhidos, os policiais descobriram uma prática conhecida como rachadinha dentro do ambiente acadêmico. Nesse modelo, os pesquisadores que recebiam o benefício mensal eram forçados a repassar uma parte do dinheiro para os líderes do esquema como forma de “pagamento” pela aprovação do projeto.
Outra fraude identificada foi o uso de endereços falsos, já que muitos dos selecionados moravam em outros estados ou até no exterior, mas fingiam residir em Santa Catarina para conseguir a verba.
Ao todo, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão em diversas cidades catarinenses e também no Rio Grande do Sul. Em Tubarão e nos demais municípios, os agentes recolheram computadores, celulares e documentos que agora passarão por perícia para identificar outros envolvidos.
A polícia trabalha com a suspeita de crimes como associação criminosa, estelionato contra o governo e falsidade ideológica, buscando garantir que os recursos públicos voltem a ser usados exclusivamente para o desenvolvimento científico real.






