Grama sintética no Hercílio Luz: entenda a tecnologia que receberá investimento de R$ 5,2 milhões
Foto: UNITVSC

A substituição da grama natural pela sintética no Estádio Aníbal Torres Costa, em Tubarão, coloca o Hercílio Luz em um grupo de clubes brasileiros que apostam na tecnologia para manter o campo em condições de jogo ao longo de diferentes períodos do ano. A intervenção prevê investimento de R$ 5,2 milhões na área do gramado, que tem cerca de 11 mil metros quadrados. O investimento total anunciado para as obras no estádio é de R$ 6 milhões.

A retirada da grama natural começou no dia 13 de outubro. A etapa seguinte prevê a preparação da base, com materiais como brita e pó de pedra, além da estrutura necessária para a drenagem da água. O sistema que será instalado no estádio deve seguir as especificações definidas para o projeto.

Como funciona a grama sintética?

O gramado sintético utilizado no futebol profissional é formado por fibras artificiais que imitam a aparência e algumas características da grama natural. Mas a tecnologia vai muito além de um tapete de fios plásticos instalado sobre o terreno.

A estrutura inclui uma base preparada para dar estabilidade ao campo, um sistema de drenagem para escoar a água da chuva e camadas que contribuem para o comportamento da superfície durante as partidas. Dependendo do modelo escolhido, também podem ser utilizados materiais de preenchimento, como areia e cortiça ou outros componentes, além de uma camada amortecedora para ajudar na absorção dos impactos.

A composição varia conforme o fabricante e o sistema adotado. Por isso, a qualidade do campo depende tanto do material instalado quanto da preparação do terreno, da execução da obra e da manutenção ao longo do tempo.

A Fifa mantém um programa de certificação para gramados artificiais, com avaliações de desempenho, segurança e qualidade. Entre os aspectos analisados estão o comportamento da bola, a interação entre o piso e os jogadores e a capacidade de absorção de impactos. Para estádios de futebol profissional, existe a categoria FIFA Quality Pro, desenvolvida para campos de alto rendimento.

Quais clubes brasileiros usam o gramado sintético?

A tecnologia já está presente em estádios de equipes conhecidas do futebol nacional. Na temporada de 2026, a lista inclui clubes como Palmeiras, Botafogo, Athletico Paranaense, Atlético-MG e Chapecoense.

O Palmeiras utiliza grama sintética no Allianz Parque, em São Paulo, desde 2020. O Athletico Paranaense adotou o piso na Ligga Arena, em Curitiba, em 2016. Já o Botafogo joga no gramado artificial do Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro.

O Atlético-MG também passou a utilizar o sistema na Arena MRV, em Belo Horizonte, após uma intervenção que incluiu a remoção do gramado natural, a construção da base e a instalação de camadas destinadas à drenagem e à absorção de impacto. A Chapecoense integra o grupo de equipes que adotam a tecnologia na temporada de 2026.

A presença desses clubes mostra que o gramado sintético já faz parte da realidade do futebol profissional brasileiro. Ao mesmo tempo, a escolha continua sendo tema de discussão entre dirigentes, atletas, comissões técnicas e especialistas.

O que muda para os clubes?

Uma das principais vantagens do gramado sintético é a possibilidade de utilizar o campo com maior frequência. Diferentemente da grama natural, o piso artificial não depende do crescimento de plantas e tende a sofrer menos com problemas como desgaste causado por jogos consecutivos, falta de sol e determinadas condições climáticas.

A manutenção também muda. Não é necessário cortar ou adubar a grama, por exemplo, e a necessidade de irrigação é diferente. Isso não significa, porém, que o campo possa ficar sem cuidados: a superfície precisa de escovação, limpeza, verificação do preenchimento e acompanhamento das condições de jogo.

Para os clubes, a possibilidade de manter um padrão mais regular de utilização pode facilitar o planejamento de partidas e treinamentos. A durabilidade do sistema e os custos ao longo dos anos, entretanto, dependem do material escolhido, da intensidade de uso e do cumprimento do programa de manutenção.

E para os jogadores?

O comportamento da bola, o contato com a superfície e a resposta do campo durante os movimentos estão entre os principais pontos de atenção na comparação entre grama natural e sintética.

Os gramados artificiais modernos são desenvolvidos para reproduzir características de jogo da grama natural e passam por testes técnicos quando destinados ao futebol profissional. Mesmo assim, o desempenho depende da qualidade da instalação e das condições em que o piso é mantido.

Outro aspecto é a temperatura. Em dias quentes e com exposição direta ao sol, a grama sintética pode acumular mais calor do que a natural. O efeito térmico, o conforto dos atletas e o contato da pele com a superfície são fatores que precisam ser considerados na escolha e na operação do sistema.

A discussão sobre lesões também faz parte do debate. Em nota conjunta divulgada em dezembro de 2025, Palmeiras, Botafogo, Athletico Paranaense, Atlético-MG e Chapecoense defenderam a tecnologia e afirmaram que não há estudo científico conclusivo que comprove aumento de lesões provocado pelos gramados sintéticos modernos. A declaração representa o posicionamento dos clubes favoráveis ao sistema, em um tema que segue gerando divergências no futebol.

Investimento vai além da grama

No caso do Hercílio Luz, os R$ 5,2 milhões destinados à área de campo representam a maior parte do investimento total anunciado para a intervenção no estádio. O valor não se refere apenas às fibras artificiais: a preparação da base, a drenagem e as demais etapas de instalação são componentes importantes para o funcionamento do gramado.

A escolha do sistema, suas especificações técnicas e a manutenção prevista serão determinantes para o resultado da obra. A tecnologia oferece ao clube uma alternativa para administrar o uso do campo, mas o desempenho esportivo depende de uma combinação de fatores, incluindo qualidade do piso, condições de conservação e adaptação dos atletas.

Com a mudança, o Estádio Aníbal Torres Costa passará a contar com uma tecnologia já adotada por equipes de diferentes regiões do país. O resultado, no entanto, será medido não apenas pela aparência do novo campo, mas também pela regularidade das condições de jogo e pela capacidade de manter a estrutura em boas condições ao longo das temporadas.