Cirurgia de transposição uterina é realizada no Hospital Unimed, em Tubarão
Foto: Unimed

Uma cirurgia de transposição uterina, por uma técnica minimamente invasiva, foi realizada no último sábado (20), no Hospital Unimed, em Tubarão. O procedimento foi feito em uma paciente de 38 anos. A intervenção foi intermediada pelo ginecologista Leandro Gugel, acompanhada pela médica oncologista Audrey Tsunoda

O procedimento é uma inovação criada no Brasil pelo cirurgião oncológico Reitan Ribeiro, pesquisador local de protocolo internacional em cirurgia laparoscópica para câncer de colo de útero, que vem ajudando várias mulheres em tratamento contra o câncer, no Brasil e em outros lugares do mundo.

Segundo o médico Leandro Gugel, essa técnica geralmente é usada para tratamento de alguns tipos de cânceres, como o de canal anal, de reto e, posteriormente, para a pelve e ainda acrescentado para a vagina e vulva. O procedimento é direcionado àquelas pacientes que ainda possuem o desejo gestacional.

O ginecologista explica que o método é uma técnica cirúrgica que consiste na transferência dos órgãos reprodutivos da mulher para a parte de cima do abdômen, temporariamente, para preservá-los. Leandro Gugel explica que o tratamento consiste em três etapas. A primeira é a remoção dos órgãos da pelve do sítio anatômico para o abdômen superior. Depois a realização da radioterapia e química se for o caso.

Cirurgia de transposição uterina é realizada no Hospital Unimed
Foto: Unimed

“Com a paciente tratada e curada, ela vai pra terceira etapa que é o reposicionamento dos órgãos reprodutores: útero, ovário, novamente para o sítio anatômico dele, junto a vagina. Depois de um certo tempo de recuperação ela estará apta a uma gestação. Já temos casos de gestação por fertilização e casos por via natural”, pontua Leandro.

A médica Audrey Tsunoda ressalta que o objetivo da técnica é preservar a função dos órgãos ginecológicos nas mulheres que receberam tratamento radioterápico no ventre. Segundo ela, toda vez que se faz radioterapia são eliminadas as funções e a possibilidade de se ter uma gravidez. Com esta técnica cirúrgica, a possibilidade de se ficar grávida volta a ser uma esperança.

Até agora, 40 mulheres fizeram a transposição do útero no Brasil e em outros países. No Brasil o procedimento ainda é feito por meio de protocolo de pesquisa, em hospitais autorizados pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa. A Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica considera esse procedimento um marco. Até agora, no Brasil, três bebês foram gerados após a realização desta cirurgia neste ano de 2022.