Facção controlava acesso e impunha regras a moradores no bairro São João, em Tubarão
Foto: Divulgação

A operação conjunta das polícias Civil e Militar deflagrada no último domingo (9) no Residencial Parque das Torres, no bairro São João, em Tubarão, revelou detalhes sobre a atuação de uma facção criminosa que havia assumido o controle do condomínio e impunha regras aos moradores. Ao todo, nove pessoas foram presas e uma segue foragida.

Durante entrevista coletiva, o comandante da Polícia Militar de Tubarão informou que o grupo atuava de forma organizada, controlando o tráfico de drogas e restringindo o acesso ao residencial. Segundo ele, moradores, prestadores de serviço e até servidores públicos eram obrigados a se identificar na entrada para ter permissão de acesso ao local.

“Tínhamos relatos de moradores que chegaram a ser espancados por não terem pago a droga, e outros precisavam se identificar para entrar no condomínio. Tivemos bastante dificuldade de acessar o local, toda a parte do muro era com graxa. Olheiros ficavam na parte de cima para avisar os traficantes, entre outras estratégias usadas para dificultar o trabalho da polícia”, relatou o comandante.

As investigações apontaram que o grupo havia tomado o controle do condomínio, utilizando violência e intimidação para manter o domínio territorial. A operação de hoje desarticulou parte da estrutura criminosa, que vinha sendo monitorada há meses pelos setores de inteligência das forças de segurança.

No último domingo (9), a polícia já havia realizado uma apreensão de 340 quilos de maconha em Paulo Lopes. A droga estava escondida dentro dos pneus de um trator e, segundo as investigações, seria distribuída em Tubarão pela facção desmantelada.

De acordo com o delegado da Divisão de Investigação Criminal (DIC) de Tubarão, André Crisóstomo, a operação também revelou o envolvimento de um trio responsável pelo comando da facção, que movimentava grandes quantidades de entorpecentes na região.

“O líder do grupo tinha imóveis, carros de luxo, joias e levavam uma vida de empresário. Foram decretados mandados de sequestro de bens, quatro imóveis, dois veículos (um deles de luxo) e bens avaliados em cerca de R$ 1,2 milhão”, explica o delegado da DIC de Tubarão André Crisóstomo.