Quase um terço das sentenças criminais em Santa Catarina em 2025 envolveu violência doméstica. Os dados, divulgados nesta sexta-feira (22) pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), mostram que 28,93% das decisões de janeiro a julho deste ano estão relacionadas à violência contra a mulher. A média diária foi de 110,9 processos.
No total, foram julgados 23 mil casos de violência doméstica no período. Os demais 57 mil processos (71,07%) envolvem crimes como roubos, agressões físicas, tráfico de drogas e homicídios dolosos.
A apresentação dos números ocorreu durante a divulgação do Mapa da Violência Doméstica, elaborado pelo TJSC em parceria com a Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica (Cevid). O levantamento também revelou que Santa Catarina ocupa o segundo lugar no país em descumprimento de medidas protetivas, atrás apenas do Rio Grande do Sul. Em 2025, o Judiciário catarinense expediu 18,3 mil ordens de proteção, o que equivale a 87 medidas concedidas por dia.
De acordo com a juíza Naiara Brancher, coordenadora adjunta do Cevid, os números reforçam a gravidade da situação e a necessidade de atuação integrada entre poder público e sociedade.
“É fundamental investir em letramento, esclarecimento e reconhecimento do machismo estrutural que marca a nossa sociedade. Só assim as mulheres poderão identificar a violência e buscar os recursos legais disponíveis”, afirmou a magistrada.
O levantamento também registrou aumento de julgamentos de feminicídios. De janeiro a julho de 2025, foram 106 casos julgados, alta de 36% em relação a 2024, quando o número foi de 78. O feminicídio é considerado a última etapa do ciclo de violência doméstica, que geralmente se inicia com agressões verbais.






