Do mar ao desenvolvimento: Santa Catarina reúne força econômica para avançar na Economia Azul
Foto: Thiago Kauê/ Secom/ Divulgação/ UNITVSC

Santa Catarina busca avançar na estruturação de uma política estadual de estímulo à Economia Azul, com o objetivo de integrar desenvolvimento econômico, sustentabilidade e planejamento costeiro. Como parte desse processo, a Secretaria do Meio Ambiente e da Economia Verde (Semae), por meio da Diretoria de Recursos Hídricos, Economia Verde e Qualidade Ambiental, realiza nesta semana o 1º Workshop de Economia Azul de Santa Catarina.

Com o tema “Diálogos estratégicos para a política estadual”, o evento será realizado no Hotel Jurerê Beach Village e reunirá especialistas e representantes de entidades de referência em Economia Azul, planejamento costeiro e critérios de sustentabilidade, além de representantes dos cinco setores da Economia do Mar em Santa Catarina: pesca industrial e artesanal, portos, maricultura, indústria náutica e turismo.

“Atualmente existem cinco setores motores da Economia do Mar em Santa Catarina. O estado é destaque na pesca industrial, na maricultura, nos portos, na indústria náutica e no turismo. No entanto, todas essas atividades são caracterizadas como Economia do Mar. Então, a partir deste evento, a ideia é criar um grupo que trabalhe alguns conceitos e critérios para que toda essa Economia do Mar de Santa Catarina se transforme em Economia Azul”, contextualiza o secretário do Meio Ambiente e da Economia Verde, Guilherme Dallacosta.

O propósito é construir uma base para a formulação de uma política estadual de estímulo à Economia Azul. A iniciativa pretende inaugurar um processo estruturado de diálogo multissetorial, capaz de alinhar desenvolvimento econômico, planejamento costeiro, conservação dos ativos naturais e fortalecimento da competitividade catarinense. Dentro da pasta de meio ambiente, a iniciativa é coordenada pela Gerência de Integração e Planejamento Ambiental (Geipa).

A construção de critérios de sustentabilidade é uma das etapas para avançar na transição da Economia do Mar para a Economia Azul em Santa Catarina. Assim como ocorre com a Economia Verde, a proposta é estabelecer parâmetros que permitam avaliar quais atividades relacionadas ao mar atendem aos princípios da sustentabilidade. O debate envolve representantes de diferentes setores, como pesca industrial e artesanal, comunidades tradicionais, portos, turismo e indústria náutica, além de áreas relacionadas ao planejamento, à gestão e às informações meteorológicas.

Entre os pontos que serão discutidos estão as lacunas regulatórias, a definição do conceito de Economia Azul e os critérios necessários para avaliar a sustentabilidade das atividades. O objetivo é identificar práticas já existentes, reconhecer os desafios e apontar caminhos para o desenvolvimento sustentável dos setores ligados ao mar.

A força de Santa Catarina

A Economia Azul relaciona o mar ao desenvolvimento, à inovação, à geração de empregos, à atração de investimentos, à segurança alimentar, à logística, ao turismo, à tecnologia e ao uso sustentável dos recursos naturais. Para Santa Catarina, essa agenda representa uma oportunidade concreta, já ancorada na força produtiva do estado.

Santa Catarina possui pelo menos cinco setores motores distribuídos ao longo de sua costa, além de uma rede de inovação, serviços e conhecimento técnico associados. Essa diversidade exige planejamento, já que a mesma costa que sustenta portos, pesca, aquicultura, turismo, indústria náutica, expansão urbana, conservação ambiental e serviços estratégicos concentra interesses sobrepostos e disputas crescentes pelo uso do espaço. Por isso, a Economia Azul também é uma agenda de competitividade, segurança jurídica e inteligência territorial.

Três desses setores já colocam Santa Catarina em posição de liderança nacional. O estado responde por cerca de 93% da produção brasileira de ostras, vieiras e mexilhões; concentra aproximadamente 70% da produção nacional de barcos a motor; possui o maior polo de processamento de pescado do país, com a região de Itajaí respondendo por cerca de 80% do peixe enlatado consumido no mercado interno; e detém mais de 50% do faturamento industrial nacional do setor de pescado.

“A discussão ganha relevância no contexto da Década do Oceano, que amplia a atenção internacional para a importância dos ecossistemas marinhos. Além de sua dimensão econômica, o oceano desempenha um papel importante para a sustentabilidade ambiental, incluindo a captura de carbono pelos ecossistemas marinhos. A conservação ambiental também está diretamente relacionada à continuidade das atividades econômicas. No turismo costeiro, por exemplo, a qualidade das praias e a preservação dos ecossistemas são fatores fundamentais. Nesse contexto, o desenvolvimento da Economia Azul depende de práticas sustentáveis que contribuam para manter o ambiente marinho saudável”, afirma a diretora de Recursos Hídricos, Economia Verde e Qualidade Ambiental da Semae, Gabriela Brasil.

Potencial da Economia Azul de Santa Catarina em números

Santa Catarina reúne um expressivo potencial na Economia do Mar, com 240 mil trabalhadores formais, mais de 23,5 mil estabelecimentos e massa salarial mensal de R$ 1,158 bilhão. Cerca de 75,4% da população catarinense vive a até 150 quilômetros do litoral, reforçando a importância econômica e social das atividades costeiras para o estado.

Na pesca, Santa Catarina concentra 45% dos empregos formais do setor no Brasil, ocupa o primeiro lugar nacional em empregos formais na pesca e no processamento de pescado e reúne mais de 450 embarcações vinculadas ao principal polo pesqueiro industrial, aproximadamente 300 armadores e mais de 40 indústrias associadas.

Na maricultura, o estado responde por 97% da produção brasileira de moluscos. No setor portuário, os terminais catarinenses movimentaram 19,1% dos contêineres do país em 2025, totalizando 2,93 milhões de TEUs e 65,7 milhões de toneladas. Na indústria náutica, Santa Catarina concentra 74% da produção brasileira de embarcações de esporte e lazer destinada à exportação, com aproximadamente mil empresas no setor.

O turismo costeiro e marítimo também representa uma importante frente econômica. Na temporada 2024/2025, eram esperados 3,1 milhões de turistas em Santa Catarina. No setor de cruzeiros, os dados registraram 121 escalas e 30 navios, com 427 mil leitos ofertados, conforme o levantamento apresentado.

Esse conjunto de atividades demonstra a dimensão da Economia do Mar catarinense e o potencial para avançar na Economia Azul. O desafio é fortalecer a integração entre os setores, aprimorar o planejamento e a gestão costeira e estabelecer critérios que contribuam para a conservação dos ecossistemas marinhos e a competitividade das atividades econômicas.