A possibilidade de um El Niño de forte intensidade preocupa não apenas pelos efeitos no clima, mas também pelos riscos à saúde pública. O fenômeno pode favorecer a proliferação de mosquitos transmissores de doenças, aumentar a exposição a agentes infecciosos e agravar problemas respiratórios e de saúde mental.
O alerta é do clínico do Complexo Médico Provida, Dr. Lawrence de Luca Dias. Segundo ele, caso as projeções de aumento das temperaturas e de chuvas intensas se confirmem, as condições ambientais poderão contribuir para o aumento de diferentes doenças.
“Se esse super El Niño ocorrer conforme o previsto, com excesso de chuvas e aumento das temperaturas, poderá provocar uma série de alterações no ambiente e contribuir para o surgimento de doenças, principalmente as infectocontagiosas”, afirma o médico.
Entre os riscos citados estão dengue, chikungunya e zika, além de doenças gastrointestinais, hepatites e leptospirose, que pode estar associada ao contato com água ou lama contaminadas durante alagamentos. O médico também chama a atenção para possíveis complicações respiratórias, especialmente em pessoas que já apresentam problemas de saúde.
A combinação de calor, chuva e água acumulada pode criar condições favoráveis à reprodução de mosquitos. Idosos, bebês, crianças, pessoas com doenças cardíacas ou pulmonares e pacientes imunodeprimidos estão entre os grupos que podem enfrentar maior risco de complicações.
Impactos na saúde mental
Além dos efeitos físicos, eventos climáticos extremos podem afetar o bem-estar emocional. O isolamento, a redução do convívio social e o medo de enchentes ou de perder a própria casa podem provocar sofrimento psicológico.
“As mudanças climáticas também podem desencadear problemas de saúde mental. As pessoas tendem a permanecer mais tempo em casa, a se isolar e a socializar menos. Para quem já apresenta depressão ou ansiedade, passar por uma situação como essa pode agravar o quadro”, explica Lawrence.
O médico acrescenta que a preocupação constante com a possibilidade de alagamentos e outros impactos pode aumentar a ansiedade, principalmente entre pessoas que vivem em áreas de risco ou já enfrentaram situações semelhantes.
Prevenção e preparação
O quarto boletim do Painel El Niño 2026-2027, divulgado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) em parceria com outros órgãos, aponta uma probabilidade de 95% de ocorrência de El Niño no trimestre de outubro a dezembro, com possibilidade de intensidade muito forte. Segundo o documento, o fenômeno também pode persistir até o primeiro trimestre de 2027.
Caso as projeções se confirmem, o episódio poderá estar entre os mais intensos registrados desde 1950. Os impactos, porém, variam conforme a região, e a intensidade do fenômeno não significa que todas as localidades enfrentarão os mesmos efeitos.
Diante desse cenário, o médico recomenda manter a vacinação atualizada conforme as orientações de saúde, eliminar recipientes que acumulem água e evitar o contato com água de enchentes. Também destaca a importância de medidas preventivas por parte do poder público, como a limpeza de rios e bocas de lobo, obras de drenagem, mapeamento de áreas de risco e emissão de alertas.
“Precisamos cobrar dos governantes medidas como a limpeza de rios e bocas de lobo, o mapeamento de áreas de risco, a realização de obras de drenagem e contenção de encostas, a emissão de alertas à população e o fortalecimento das defesas civis locais”, conclui o clínico.






