A mulher de 37 anos presa preventivamente em Joinville, no Norte de Santa Catarina, após se passar por uma adolescente de 12 anos e ser acolhida por uma família como filha adotiva, confessou à Polícia Civil ter aplicado golpes semelhantes em pelo menos outros seis estados brasileiros ao longo de mais de 15 anos. O caso envolve Amanda Maria Souza de Oliveira, que foi indiciada por estelionato, falsidade ideológica e uso de identidade falsa.
Segundo a investigação, Amanda utilizava sempre a mesma estratégia: apresentava-se como adolescente em situação de vulnerabilidade, alegava ter fugido de casa após sofrer abusos e buscava acolhimento em instituições ou famílias.
Além de Santa Catarina, ela admitiu ter praticado golpes semelhantes no Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás e Ceará. Um caso registrado anteriormente no Rio Grande do Norte e outro ocorrido no Rio Grande do Sul também foram relacionados ao mesmo padrão de comportamento.
Modus operandi se repetiu em diferentes estados
De acordo com a Polícia Civil, Amanda alterava os nomes utilizados e a idade informada, mas sempre afirmava ser menor de idade.
Em diversos episódios, conseguiu ingressar em abrigos destinados a crianças e adolescentes ou sensibilizar famílias e autoridades responsáveis pela proteção de menores.
As investigações apontam que a suspeita chegou a ser descoberta e presa em algumas ocasiões. Em 2021, por exemplo, ela teria conseguido permanecer em um abrigo para menores em Porto Alegre até que uma perícia comprovasse sua verdadeira idade.
No mesmo ano, foi presa preventivamente em Cachoeirinha (RS) por estelionato consumado. Na ocasião, dizia ter apenas 11 anos. Ela permaneceu cerca de seis meses presa e deixou o sistema prisional em junho de 2022.
Caso em Joinville chamou atenção pela duração
O episódio mais recente ocorreu em Joinville. Conforme a investigação, Amanda foi acolhida por uma família após se apresentar como uma menina vulnerável.
Durante aproximadamente 14 meses, ela viveu na residência do casal e passou a ser tratada como filha. Segundo relatos, participou da rotina familiar, recebeu presentes e chegou a ganhar uma festa de aniversário para celebrar os supostos 12 anos.
A suspeita também recebeu acompanhamento médico e tratamento para emagrecimento.
As dúvidas sobre sua identidade surgiram após familiares começarem a perceber inconsistências em sua história. A partir das suspeitas, o caso foi comunicado às autoridades, que iniciaram as investigações.
Histórico inclui internações e casos envolvendo agulhas
Um dos episódios mais antigos identificados ocorreu em 2010, em Natal (RN). Na época, Amanda deu entrada em um hospital afirmando ter 13 anos.
Durante o atendimento, médicos encontraram agulhas na região abdominal da paciente. O caso foi comunicado à Polícia Civil do Rio Grande do Norte.
Segundo o delegado Luiz Lucena, responsável pelo atendimento da ocorrência na época, as investigações apontaram que Amanda já era maior de idade e havia apresentado comportamento semelhante em outros estados.
Situação parecida voltou a ocorrer em Florianópolis, em setembro de 2023. Na ocasião, Amanda foi atendida no Hospital Infantil Joana de Gusmão após relatar dores abdominais.
Exames de imagem identificaram diversas agulhas em seu corpo. Ela vivia em uma casa de acolhimento da capital catarinense e também se apresentava como adolescente.
Não há informações sobre a origem dos objetos nem sobre eventual retirada do material.
Defesa aguarda exame psiquiátrico
A defesa de Amanda informou que aguarda a realização de um exame psiquiátrico autorizado pela Justiça para se manifestar de forma mais aprofundada sobre as conclusões do inquérito relacionado ao caso de Joinville.
A data para a avaliação ainda não havia sido definida até a última atualização do caso.
Além da investigação em Joinville, a Polícia Civil de Santa Catarina apura outras ocorrências que podem estar relacionadas à suspeita em Florianópolis e Chapecó.






