Uma organização criminosa especializada em fraudar créditos judiciais de idosos foi alvo da Operação Entre Lobos, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC). A investigação aponta que o grupo desviou mais de R$ 6 milhões, pagando às vítimas menos de 10% do valor a que tinham direito.
A denúncia do MPSC foi apresentada contra 14 pessoas, incluindo quatro advogados, que também respondem pelo crime de patrocínio infiel. O esquema, segundo a Promotoria de Justiça de Modelo, estava estruturado em cinco núcleos: liderança e estratégia, operacional e financeiro, jurídico e administrativo, empresarial e de coleta. Essa divisão permitia uma atuação coordenada em Santa Catarina, Ceará, Rio Grande do Sul, Bahia e Alagoas, com alvos principalmente idosos e aposentados.
Como funcionava o golpe
De acordo com a investigação, o grupo abordava vítimas em casa ou pela internet, usando um site chamado Instituto de Defesa do Aposentado e Pensionista (IDAP), que dava aparência de legitimidade ao esquema. Os criminosos se apresentavam como advogados e ofereciam ajuizar ações revisionais contra bancos.
Quando as ações avançavam, as vítimas eram induzidas a assinar contratos fraudulentos de cessão de crédito, transferindo seus direitos a empresas de fachada em troca de valores irrisórios. Enquanto os alvarás judiciais liberavam montantes que chegavam a R$ 146 mil, algumas vítimas recebiam apenas R$ 2 mil a R$ 2,5 mil, menos de 2% do valor real.
Estrutura sofisticada
O núcleo jurídico recebia os valores diretamente nas contas do escritório de advocacia, e o núcleo financeiro central cuidava da distribuição dos lucros entre os envolvidos. Empresas fictícias, como Ativa Precatórios e BrasilMais Precatórios, formalizavam as cessões fraudulentas e dificultavam a responsabilização dos líderes.
A investigação mostrou ainda que os criminosos migraram para plataformas criptografadas para se comunicar, dificultando o rastreamento. Planilhas apreendidas revelaram controle detalhado de despesas, comissões e divisão de lucros.
Operação e apreensões
Deflagrada em 22 de julho, a Operação Entre Lobos cumpriu 13 mandados de prisão (oito preventivos e cinco temporários) e 35 de busca e apreensão em 12 cidades. Foram apreendidos R$ 156 mil em espécie, além de 6,7 mil dólares e euros, nove veículos, duas armas e 60 munições.
Impacto sobre as vítimas
O MPSC destaca que as 215 vítimas identificadas, com idade média de 69 anos, foram exploradas em um momento de vulnerabilidade. Além das perdas financeiras, muitas foram levadas a cartórios para reconhecimento de firma, conferindo aparência de legalidade às transações fraudulentas.
A denúncia agora segue para análise da Justiça, que avaliará o recebimento da acusação e a continuidade do processo criminal.






