Laguna celebra 350 anos de história, cultura e identidade nesta quarta-feira
Foto: PML/ Divulgação/ UNITVSC

Laguna celebra, nesta quarta-feira (29), 350 anos de fundação. Ao longo de mais de três séculos, o município construiu uma trajetória marcada pela presença de diferentes povos, pela importância estratégica de seu território, pelo desenvolvimento portuário, por episódios decisivos da história do Brasil e por um patrimônio histórico, cultural e natural que permanece como parte da identidade da cidade.

A história de Laguna, no entanto, começou muito antes da fundação oficial. A presença humana na região remonta a cerca de 6 mil anos, com os povos construtores de sambaquis. Comunidades de pescadores e coletores desenvolveram conhecimentos sobre o ambiente, sistemas de sepultamento e diferentes formas de expressão cultural. Na região estão alguns dos maiores sítios arqueológicos do mundo, e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) registra 43 sítios arqueológicos relacionados aos povos sambaquieiros e guaranis.

A formação histórica de Laguna também é marcada pela presença dos povos Carijó e Xokleng, além da população negra, dos açorianos e de outros grupos que contribuíram para a construção da cidade ao longo dos séculos.

A presença negra ocupa um capítulo fundamental nessa trajetória. Desde o processo de fundação da vila, homens e mulheres africanos e afrodescendentes participaram da construção econômica e social de Laguna, atuando em engenhos, atividades portuárias, navegação e serviços urbanos e rurais. Também criaram espaços próprios de sociabilidade e religiosidade, como a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos. A história negra do município é igualmente marcada pela educação, pela cultura e pela resistência, com nomes como Júlia Chrispina do Nascimento, considerada a primeira professora negra da cidade.

A fundação da vila ocorreu em meio às disputas coloniais entre Portugal e Espanha. Em 29 de julho de 1676, o bandeirante vicentista Domingos de Brito Peixoto chegou à região a pedido da Coroa Portuguesa e deu ao local o nome de Santo Antônio dos Anjos de Laguna. A primeira providência foi a construção de uma capela de pau a pique, no mesmo local onde está a atual igreja.

Com o passar dos anos, a chegada dos açorianos, entre 1748 e 1756, provocou mudanças na população, na agricultura e nos costumes locais. Mais tarde, o crescimento do porto e a chegada de imigrantes europeus contribuíram para uma fase de expansão econômica, que deixou marcas na arquitetura e no desenvolvimento urbano.

Laguna também ganhou destaque na história política do país. Em 1839, durante a Revolução Farroupilha, a cidade foi palco da proclamação da República Catarinense, conhecida como República Juliana. O episódio contou com a participação de Giuseppe Garibaldi e Anita Garibaldi, personagens que se tornaram símbolos desse período histórico.

No século XIX, o porto teve papel central na economia regional. Produtos agrícolas e o carvão movimentavam a estrutura portuária, enquanto a chegada de imigrantes e a construção da Estrada de Ferro Dona Teresa Cristina contribuíam para a integração da região. A prosperidade daquele período também transformou a paisagem urbana, com a construção de imóveis que hoje fazem parte do conjunto histórico preservado da cidade.

A partir da segunda metade do século XX, Laguna enfrentou mudanças econômicas provocadas pelo declínio da atividade portuária, pela perda de importância comercial e pela expansão do transporte rodoviário. A construção da BR-101 e a abertura da ponte da Cabeçuda alteraram a dinâmica econômica regional. Décadas depois, o turismo passou a ocupar um espaço cada vez mais importante, especialmente com o desenvolvimento do Balneário do Mar Grosso e a valorização do patrimônio histórico.

Em 1985, foi proposto o tombamento de uma área central da cidade, consolidando o reconhecimento da importância de seu conjunto arquitetônico e de sua paisagem urbana. Atualmente, Laguna reúne praias, sítios arqueológicos, patrimônio histórico e uma trajetória cultural construída por diferentes povos e gerações.

Programação celebra os 350 anos

Para marcar a data, a Prefeitura de Laguna preparou uma programação especial nesta quarta-feira (29), com solenidade oficial, homenagens, corte da torta de aniversário e atrações musicais gratuitas.

As atividades começam às 9h, no Cine Teatro Mussi, com a Cerimônia de Celebração dos 350 Anos de Laguna. O evento contará com a entrega de comendas aos homenageados e o tradicional corte da torta de aniversário, com entrada aberta ao público.

À noite, a programação segue na Praça República Juliana, com shows gratuitos. A agenda musical começa às 18h, com Opus 4. Às 20h, será a vez de Carlos Trilha, seguido pelo show do Dazaranha, às 21h.

As comemorações continuam até domingo (2). Na quinta-feira (30), a programação inclui uma palestra e capacitação sobre emendas impositivas dos vereadores para Organizações da Sociedade Civil (OSCs), às 18h, no Cine Teatro Mussi, com Cristian Pavanate e Vinicius Lauffer. Às 20h30, o Mercado Público recebe a Noite da Seresta.

Na sexta-feira (31), às 20h, o Cine Teatro Mussi recebe o Grupo IACEC com o espetáculo teatral Nossa Laguna. Também haverá Feira Livre e Feira da Amizade no hall do teatro. A entrada será mediante a doação de 1 kg de alimento.

No sábado (1º), a programação começa às 16h, na Praça República Juliana, com show do Grupo Tentação. A partir das 18h, haverá apresentações das escolas de samba, escolha da Corte do Carnaval 2027 e sorteio da ordem dos desfiles. A Feira Livre e a Feira da Amizade também estarão disponíveis durante o dia.

O encerramento oficial das comemorações será no domingo (2), às 20h, no Cine Teatro Mussi, com um concerto da Sociedade Musical Carlos Gomes. A apresentação será aberta ao público.

A programação dos 350 anos reúne diferentes momentos da trajetória de Laguna e convida moradores e visitantes a celebrar uma cidade cuja história atravessa milênios, diferentes culturas e importantes acontecimentos da formação de Santa Catarina e do Brasil.