Serra do Rio do Rastro no inverno: bombeiros de Lauro Müller alertam para riscos nas curvas, trilhas e no uso de aquecedores
Foto: Divulgação/ UNITVSC

A Serra do Rio do Rastro é um dos destinos mais procurados do Brasil no inverno. Mas a beleza das curvas, dos mirantes e das trilhas vem acompanhada de riscos que nem sempre o visitante conhece. O Corpo de Bombeiros de Lauro Müller, quartel responsável pelo atendimento de grande parte da serra, está de prontidão, e tem orientações importantes para quem visita a região nessa época do ano.

Jeovane de Oliveira, bombeiro civil profissional e chefe de socorro do quartel de Lauro Müller, explica que os acidentes de trânsito são a principal demanda da equipe na região. A Serra tem características que exigem atenção redobrada, especialmente à noite e nas primeiras horas do dia.

“A Serra Catarinense tem as suas particularidades, que é muita neblina e cerração durante a noite. É muito importante que o motorista tome cuidado com as curvas, principalmente. Hoje a Serra Catarinense tem uma grande quantidade de curvas e essas curvas precisam ser respeitadas, tanto na parte de limite de velocidade quanto nas placas de orientação. Isso é muito importante para que o turista venha e tenha a sua viagem tranquila e possa desfrutar a Serra Catarinense”, orienta.

Em casos de acidentes mais graves, o quartel conta com apoio dos bombeiros de Bom Jardim da Serra e Orleans, além do SAMU e, quando necessário, do serviço aeromédico. A frota inclui uma caminhonete 4×4 para áreas de difícil acesso, caminhão de combate a incêndio com equipamentos de resgate veicular e uma ambulância para atendimentos clínicos e de trauma.

Cuidado nas trilhas e nos mirantes

Com a expansão do turismo de aventura na região, as ocorrências envolvendo pessoas perdidas ou acidentadas em trilhas também fazem parte do cotidiano do quartel. Jeovane alerta para os riscos que nem sempre são visíveis.

“As trilhas têm que tomar um devido cuidado, principalmente em áreas escorregadias. Temos também, por serem locais íngremes, a possibilidade de queda de pedras, deslizamento de terra. É muito importante que o turista preste atenção nos locais onde vai pisar, até por conta dos animais que podem ter na região”, alerta.

Entre os animais, o bombeiro cita a jararaca e o javali como os de maior risco. O javali tem sido encontrado com frequência na parte alta da serra, e apesar de não haver registros de ataques a humanos na região, o animal pode se tornar agressivo se confrontado. A orientação é manter distância e nunca tentar se aproximar.

Para quem busca as vistas dos cânions e mirantes, o alerta é sobre os limites de segurança.

“É importante respeitar os limites e as barreiras de contenção que existem para evitar uma possível queda. A natureza tem muita coisa para oferecer, a Serra Catarinense tem muita coisa para oferecer, desde que a gente respeite o limite dela. Chegou próximo dos cânions e até mesmo em trilhas, cuidar para não chegar muito perto da beira, cuidar ao andar para não escorregar. Porque a queda pode ser fatal, o chão pode estar muito longe do local da queda”, ressalta Jeovane.

A recomendação para quem não conhece as trilhas da região é sempre utilizar um guia de turismo local.

Dentro de casa, o perigo também existe

Com o frio intenso, o uso de aquecedores, fogões a lenha e lareiras aumenta, e com ele, os riscos de incêndio dentro das residências. O bombeiro alerta para um dos erros mais comuns: sobrecarregar a rede elétrica.

“É muito comum a gente pegar o aquecedor, conectar na tomada e muitas vezes essa tomada já está totalmente sobrecarregada com outros materiais elétricos. Tem que ter um devido cuidado com o superaquecimento dessas tomadas, principalmente daquelas acopladas que têm mais de uma saída. Porque o superaquecimento pode acontecer e pode causar um curto-circuito e, diante disso, causar um incêndio”, explica.

Casas antigas, com fiação dimensionada para uma realidade sem aquecedores e ar-condicionado, são as mais vulneráveis. A manutenção da instalação elétrica é fundamental antes do inverno.

No caso do fogão a lenha, o bombeiro orienta que a porta de alimentação seja mantida sempre fechada durante o uso e que não haja tapetes ou materiais inflamáveis próximos à saída de brasas. Ambientes com lareira ou churrasqueira precisam ter boa ventilação e a saída de fumaça deve estar sempre limpa e desobstruída. O mesmo cuidado vale para a madeira utilizada: nunca queimar madeira tratada contra cupim ou outros insetos, pois a fumaça pode ser nociva à saúde.

A mensagem do bombeiro

Para Jeovane, a Serra pode e deve ser aproveitada, com responsabilidade.

“Segurança e turismo têm que andar juntos, para que todas as famílias possam aproveitar e voltar para casa. Fazer o básico bem feito: cuidar com as curvas, estar sempre atento, não utilizar o celular quando for dirigir, se orientar pelas placas de sinalização e cuidar com a velocidade. Tudo isso vai garantir que tenha um local seguro para conhecer e voltar para casa em segurança”, conclui.

E se algo acontecer, o quartel de Lauro Müller está de prontidão. Em emergências, ligue 193.

Confira a entrevista completa:


Esta reportagem faz parte do Estúdio de Inverno 2026, projeto dos veículos UNITVSC, portais Notisul e UNITV de Tubarão, Litoral Sul, NotíciasSC e Destaque Santa Catarina de Criciúma, e rádios Jovem Pan News de Criciúma, Araranguá e Tubarão.