Lauro Müller quer ser reconhecida como destino turístico e aposta na Serra do Rio do Rastro para atrair visitantes do Brasil inteiro

Lauro Müller vive uma transformação. O município que por décadas teve sua economia marcada pela extração de carvão agora aposta no turismo como principal motor de desenvolvimento. E o principal trunfo é a Serra do Rio do Rastro, uma das rodovias mais belas do mundo, que fica inteiramente dentro do território do município, embora muitos visitantes nem saibam disso.

O secretário de Turismo, Desenvolvimento Econômico, Cultura e Urbanismo, Ranieri Godinho, reconhece que a confusão sobre a localização da Serra já incomodou mais do que hoje.

“Enquanto eles estão falando que, divulgando a Serra do Rio do Rastro, o pessoal está vindo para Lauro Müller. Então, isso acabou também difundindo muito o turismo aqui na nossa cidade”, avalia.

A meta agora é fazer com que o município seja reconhecido como o destino, e não apenas como passagem.

Lauro Müller conta hoje com cerca de 60 pousadas com CNPJ e outras 60 que operam por plataformas como Airbnb e Booking, somando entre 1.200 e 1.300 leitos. A estimativa é que cerca de 2 mil pessoas, em uma cidade de 15 mil habitantes, já dependam direta ou indiretamente do turismo.

“Claro que o turismo movimenta quase 50 setores da economia. A padaria ganha, o posto de combustíveis, o supermercado. Acaba gerando um grande indutor”, explica o secretário.

O fluxo de visitantes tem surpreendido. Câmeras da polícia com contagem de placas registram de 10 a 15 mil veículos por dia nos finais de semana de feriado prolongado. E a sazonalidade, antes concentrada no inverno, começa a se dissolver. Turistas que fogem do calor do litoral no verão também passam a buscar a região dos cânions, ampliando o calendário de visitação ao longo do ano.

Para consolidar esse crescimento, o município enfrenta desafios conhecidos por qualquer cidade em transição econômica. A qualificação da mão de obra é um deles.

“A mão de obra hoje é muito rotativa. O pessoal tem empreendimentos maiores, restaurantes, hotéis, que até conseguem qualificar uma equipe, mas daqui a pouco estão perdendo para outros”, reconhece Ranieri.

A solução passa por um trabalho contínuo de capacitação, tanto de funcionários quanto dos próprios empreendedores.

A infraestrutura também está na pauta. O município tem 700 a 800 quilômetros de estradas rurais, e a pavimentação dos principais acessos ao interior é uma das prioridades da gestão.

“Leva o turista para restaurantes e pousadas”, justifica o secretário. No centro da cidade, obras de urbanização das praças e das ruas centrais estão previstas para os próximos anos, com atenção também ao distrito de Guatá, que guarda um casario histórico da época da mineração e uma locomotiva que operou na linha ferroviária entre Lauro Müller e Laguna.

Outra iniciativa em desenvolvimento é o projeto Integratur, em parceria com uma universidade local, que busca integrar o turismo da região carbonífera. A ideia é criar roteiros que conectem municípios próximos, como Urubici, Bom Jardim da Serra e São Joaquim, permitindo que o turista hospedado em Lauro Müller explore toda a região sem precisar trocar de base.

“O turista não conhece fronteira. Ele quer conhecer os atrativos, os melhores atrativos da região”, resume Ranieri.

A natureza, no entanto, continua sendo o maior argumento. “A natureza escolheu a gente”, diz o slogan do município, e quem visita entende o porquê.

Essa reportagem faz parte do Estúdio de Inverno 2026, projeto dos veículos UNITVSC, portais Notisul e UNITV de Tubarão, Litoral Sul, NotíciasSC e Destaque Santa Catarina de Criciúma, e rádios Jovem Pan News de Criciúma, Araranguá e Tubarão.