A evolução dos vinhos de altitude de Santa Catarina tem colocado a Serra Catarinense em posição de destaque no cenário nacional. Para o enólogo Átila Zavarize, da Vinícola Vivalti, o reconhecimento é resultado de um trabalho técnico que começou há pouco mais de duas décadas e que ainda tem amplo potencial de crescimento.
Natural de Jaraguá do Sul e criado em Urussanga, Átila conta que o contato com a cultura do vinho começou ainda na infância. Foi na cidade do Sul catarinense, reconhecida pela produção da uva Goethe, que nasceu o interesse pela enologia.
“Urussanga despertou esse meu interesse pelo vinho. Sempre tive contato com esse universo, com produtores, enólogos e famílias ligadas à atividade. Por isso resolvi estudar Enologia e seguir nesse fantástico mundo do vinho”, relata.
Após a formação em Bento Gonçalves (RS), passou a atuar na Serra Catarinense e se tornou um dos pioneiros no desenvolvimento dos vinhos de altitude da região.
Indicação Geográfica fortalece padrão de qualidade
Segundo Átila, a Indicação Geográfica (IG) dos Vinhos de Altitude de Santa Catarina tem papel fundamental no fortalecimento da produção regional. Diferentemente da Denominação de Origem, que possui regras mais restritivas, a Indicação de Procedência permite que os produtores continuem estudando o potencial da região e das variedades de uva.
“A região é bastante jovem quando falamos do mundo do vinho. São apenas 26 anos de história, enquanto existem regiões com mais de 500 anos de tradição. Ainda temos muito a descobrir.”
Ele explica que existe um rígido conjunto de normas para que um vinho possa receber o selo da Indicação Geográfica. Entre elas estão critérios relacionados ao manejo dos vinhedos, controle de produtividade e sistemas de condução das plantas, sempre priorizando a qualidade da fruta.
“As degustações são realizadas às cegas. Nem todos os vinhos são aprovados para receber o selo da Indicação Geográfica, porque existe um padrão técnico bastante rigoroso.”
Conhecimento acelerou desenvolvimento da Serra Catarinense
Na avaliação do enólogo, um dos diferenciais da Serra Catarinense foi iniciar a produção de vinhos de altitude já com base em estudos, consultorias especializadas e investimentos direcionados para vinhos de alta qualidade.
“A gente, de certa forma, cortou caminho aproveitando a experiência de outras regiões. Muitas vinícolas contam com consultorias nacionais e internacionais e já nasceram com um padrão de qualidade muito bem definido.”
Para ele, esse processo permitiu que os vinhos catarinenses alcançassem reconhecimento em um período relativamente curto.
Premiações nacionais e internacionais
Responsável técnico pela Vinícola Vivalti, Átila destaca que a vinícola vem acumulando importantes premiações há cerca de oito anos.
O Sauvignon Blanc foi um dos primeiros rótulos a ganhar notoriedade, sendo reconhecido como um dos melhores do país em concursos nacionais. Depois vieram os destaques para o Alvarinho, atualmente o vinho mais vendido da vinícola, além do Touriga Nacional e do Montepulciano.
Um dos reconhecimentos mais expressivos aconteceu justamente na Itália, país de origem da uva Montepulciano.
“Enviamos o vinho para um concurso internacional e conquistamos uma medalha de ouro. Foi um reconhecimento muito importante.”
Altitude faz diferença na qualidade das uvas
A cerca de 1.300 metros de altitude, os vinhedos da Vivalti apresentam características que, segundo o enólogo, favorecem uma maturação mais lenta das uvas.
Com dias relativamente quentes e noites frias, ocorre uma maior amplitude térmica, permitindo que os frutos permaneçam mais tempo na planta e acumulem compostos responsáveis pelos aromas, pela cor e pela estrutura dos vinhos.
“Quando essa maturação acontece de forma lenta e gradual, conseguimos uvas muito mais concentradas. Isso resulta em vinhos mais intensos, mais vibrantes e muito expressivos.”
Na vinícola, as uvas provenientes de vinhedos mais jovens são destinadas à linha de entrada, enquanto os vinhedos mais antigos abastecem os rótulos voltados aos vinhos de maior complexidade.
Mesmo assim, Átila destaca que a qualidade está presente em todo o portfólio.
“Mesmo sendo nossa linha de entrada, são vinhos que entregam muito mais do que normalmente se espera, porque recebem também uma parcela de uvas de vinhedos mais antigos, que agregam maior complexidade.”
Esta reportagem faz parte do Estúdio de Inverno 2026, projeto dos veículos UNITVSC, portais Notisul e UNITV de Tubarão, Litoral Sul, NotíciasSC e Destaque Santa Catarina de Criciúma, e rádios Jovem Pan News de Criciúma, Araranguá e Tubarão.






