Megaoperação no Rio de Janeiro deixa ao menos 64 mortos e é considerada a mais letal da história do estado
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A megaoperação realizada no Rio de Janeiro nesta terça-feira (28) foi a maior e mais letal da história do estado, mobilizando cerca de 2,5 mil policiais civis e militares. A ação teve como objetivo combater o Comando Vermelho nos Complexos do Alemão e da Penha, cumprindo 100 mandados de prisão contra lideranças e integrantes da facção.

Balanço e número de vítimas

O balanço oficial divulgado até esta quarta-feira (29) indica 64 mortes, entre elas suspeitos e quatro policiais — dois civis e dois do Bope. No entanto, moradores e fontes independentes relatam que o número de vítimas pode ultrapassar 100 pessoas, com corpos encontrados em áreas de mata nas horas seguintes à operação.

Entre as vítimas confirmadas estão 18 suspeitos identificados e dois policiais mortos durante os confrontos.

Prisões e apreensões

A ação resultou na prisão de 81 pessoas, incluindo Thiago do Nascimento Mendes, o Belão, apontado como operador financeiro do Comando Vermelho e braço direito de Edgar Alves, conhecido como Doca ou Urso.

As forças de segurança apreenderam 91 fuzis, 26 pistolas, granadas, 14 artefatos explosivos e toneladas de drogas. A operação contou ainda com helicópteros, drones, 32 blindados e 12 veículos de demolição.

Confrontos e uso de tecnologia

Durante os confrontos, criminosos utilizaram drones para lançar explosivos contra as forças policiais. Em resposta, o Bope aplicou táticas de cerco conhecidas como “muro do Bope”, que buscam isolar os traficantes em áreas delimitadas — neste caso, dentro de uma região de 9 milhões de metros quadrados.

Os intensos tiroteios provocaram bloqueios em vias importantes, como a Avenida Brasil, e deixaram a capital fluminense em estágio 2 de atenção, com alerta para novos incidentes.

Repercussão e impactos sociais

A operação causou forte repercussão nacional e internacional. Moradores relataram horas de pânico, casas atingidas por tiros e dificuldades de locomoção. Entidades de direitos humanos classificaram o episódio como uma das ações mais letais da história da segurança pública brasileira.

A Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) cobrou explicações oficiais sobre o número de mortos e os critérios de condução da operação. Já o governo estadual defendeu a ação, afirmando que ela representa uma resposta “necessária” ao avanço territorial do tráfico.

Repercussão internacional

Veículos estrangeiros como o The Guardian e a Deutsche Welle destacaram a operação como um dos episódios mais violentos da história recente do Rio, descrevendo cenas de guerra urbana e crise humanitária nas comunidades.

Debate sobre segurança pública

Especialistas afirmam que a megaoperação evidencia o dilema da segurança pública fluminense, marcada por altos índices de letalidade e baixa transparência nos resultados. Organizações civis alertam para o impacto psicológico e social sobre as comunidades e reforçam a necessidade de novos modelos de combate ao crime, baseados em inteligência policial e redução de danos.