De caminhoneiro a anfitrião: ex-motorista constrói pousada de alto padrão nos pés da Serra do Rio do Rastro
Foto: Divulgação/ UNITVSC

Edmar Lorenzi passou 27 anos rodando o Brasil inteiro como caminhoneiro. Conheceu o litoral nordestino, o Mato Grosso, paisagens de Norte a Sul do país. Mas foi ao desacelerar, depois de tanta estrada, que ele encontrou o que talvez seja a vista mais bonita que já teve diante dos olhos; e ela estava bem ali, nos pés da Serra do Rio do Rastro, na comunidade do Novo Horizonte, em Lauro Müller.

“Essa mudança de atividade foi para poder dar uma desacelerada. A gente viajava muito, longe de casa, longe do tempo com a família. E a gente começou a criar essa ideia por conta da nossa localização, que é nos pés da Serra do Rio do Rastro”, conta Edmar.

O nome da pousada, Chalés Benessere, vem do italiano e significa bem-estar, uma escolha que não é por acaso para quem descende de família italiana e cresceu numa região marcada por essa cultura.

“Benessere tem muita coisa agregada dentro dela: um bom acolhimento, um aconchego, privacidade, contato com a natureza, aquela paz e aquele conforto que a gente buscou trazer e colocar dentro das nossas cabanas”, explica.

O empreendimento tem três anos e meio de atividade e conta hoje com três chalés voltados principalmente para casais. Cada um tem uma proposta diferente: o Nascer do Sol, construído em formato A com fachada de vidro, permite ver o sol nascer pelo vale sem sair da cama, “a coisa mais linda, assim, um espetáculo”, descreve Edmar. O Bela Vista contempla os cânions e as montanhas da região. Já o Chalé da Mata foi projetado para quem busca mais privacidade e contato direto com a natureza.

Todos são equipados com cama queen, hidromassagem, cozinha completa e opções de aquecimento para as noites frias da serra. O Nascer do Sol tem calefator a lenha, o Bela Vista conta com aquecedor e ar-condicionado quente e frio, e o Chalé da Mata tem piso aquecido, talvez o maior diferencial de todos.

“O piso aquecido é você andar descalço em cima de uma cerâmica. Você fica de bermuda dentro, fazendo 20 graus, e lá fora está zero. É um negócio espetacular”, conta Edmar, que teve a ideia depois de ver o recurso instalado em um banheiro e decidiu levar para o ambiente inteiro.

Do lado de fora, os chalés têm fire pits, fogueiras de chão, onde os hóspedes se reúnem à noite para fazer marshmallow e contemplar o céu. “A gente tem umas noites de lua cheia que é a coisa mais linda do mundo. Espetáculo. Eles param, desligam todas as luzes. É muito bonito”, descreve.

Construído com as próprias mãos

Uma das histórias mais curiosas da Benessere é a da construção do terceiro chalé. Depois de contratar uma construtora para os dois primeiros, Edmar decidiu fazer o terceiro ele mesmo, ao lado do cunhado Luiz, marceneiro. Nenhum dos dois tinha experiência em construção de pousadas.

“Eu olhei os outros fazendo e falei para o meu cunhado: se nós não fizermos isso, pelo amor de Deus. Ele regalou o olho, achou que eu estava brincando. E a gente começou na segunda-feira”, lembra Edmar com bom humor. O resultado surpreendeu: os dois fizeram praticamente tudo, cerâmica, piso aquecido, escada, paisagismo, terceirizando apenas a parte elétrica e a pintura. “Achei que o nosso serviço ficou até melhor do que o que a gente contratou.”

Vinho, uva e turismo de experiência

Edmar também está resgatando uma tradição de família: a produção de vinho artesanal. A pousada tem parreirais ao redor das cabanas, que servem tanto de paisagismo quanto de atração para os hóspedes. Em dezembro e janeiro, na época da colheita, os visitantes participam da vindima, colhendo as uvas diretamente das videiras.

“No ano passado, entrou um pessoal de São Paulo, vieram, colheram, não conseguiram levar o meu vinho porque ainda estava no processo. Esse ano eles voltaram e a gente tomou o vinho juntos. Eles levaram o vinho Benessere para São Paulo. Foi muito bacana”, conta.

Em breve, um galpão em construção ao lado das cabanas vai virar um espaço para degustações de produtos regionais, como vinho artesanal, queijos e cachaça premiados da região, com uma área social com lareira para receber os hóspedes.

Ocupação que surpreende

Em três anos e meio, a Benessere já recebeu hóspedes que retornaram cinco vezes. Nos fins de semana, as três cabanas são ocupadas com regularidade ao longo do ano inteiro. No inverno, a demanda se estende para os dias de semana.

“Pela entrega que a gente está tendo, pelo esforço, pelo que a gente entrega dentro da própria cabana, em finais de semana a gente consegue alugar todas elas sem problema nenhum”, afirma Edmar.

Para ele, o segredo está no acolhimento. “O principal é um bom acolhimento. Saber que ele está sendo recebido pelo proprietário, que está ali disponível para qualquer coisa que precisar. Então ele vai dormir com a cabeça tranquila. Se precisar, a gente está lá.”

Confira a entrevista completa:


Esta reportagem faz parte do Estúdio de Inverno 2026, projeto dos veículos UNITVSC, portais Notisul e UNITV de Tubarão, Litoral Sul, NotíciasSC e Destaque Santa Catarina de Criciúma, e rádios Jovem Pan News de Criciúma, Araranguá e Tubarão.