Os 100 anos da Ponte Hercílio Luz: livro resgata a história e os bastidores da “Dama de Ferro”
Foto: Setur/ Divulgação/ UNITVSC

O programa Bate-Papo Literário celebrou seus 10 anos na UNITVSC com uma entrevista especial sobre um dos maiores símbolos de Santa Catarina. A apresentadora Renata Dalbó recebeu o escritor José Brás da Silveira, autor da obra “Os 100 anos da ponte Hercílio Luz – Renasce a dama de ferro”, um livro que é fruto de anos de investigação documental e histórica sobre a estrutura que conecta a ilha ao continente.

A ideia e o processo de pesquisa

A iniciativa de registrar o centenário da ponte surgiu em 2021. José Brás reuniu amigos do meio literário e, de forma inédita, registrou a ideia em cartório, dando ao projeto uma espécie de “certidão de nascimento” para nortear a pesquisa. Durante o processo, o autor buscou fotografias raras e documentos que revelassem o cenário de Florianópolis na década de 1920, quando a cidade tinha apenas 40 mil habitantes e a travessia do canal era feita por barcos, canoas ou até com gado nadando ao lado das embarcações.

Desafios da construção e curiosidades

A ponte foi um projeto ousado do então governador Hercílio Luz, sendo uma das poucas pontes pênseis do mundo com aquele design específico na época. A obra durou quatro anos (1922-1926) e utilizou peças de ferro fundido que vinham prontas e eram montadas com pinos aquecidos ao fogo.

Uma das curiosidades mais marcantes reveladas pelo autor é que a estrutura originalmente se chamaria Ponte da Independência. O nome atual foi uma homenagem póstuma ao seu idealizador, que faleceu em 1924, apenas 12 dias após inaugurar uma réplica de 18 metros da ponte na Praça Fernando Machado, já que sabia que não viveria para ver a obra finalizada.

O auge, o abandono e o renascimento

O livro também percorre os momentos difíceis, como a interdição em 1982 devido a defeitos graves na estrutura. A ponte ficou desativada por 28 anos e chegou a correr risco de demolição, até ser finalmente restaurada e entregue novamente à sociedade em 2019. José Brás destaca que a obra atual foi planejada com tecnologia moderna para durar por muitos séculos.

Além do texto histórico, a obra conta com a participação de mais de 20 escritores convidados e um vasto acervo fotográfico, servindo como um documento para futuras gerações de estudantes e pesquisadores. Durante a conversa, o autor também compartilhou histórias populares do folclore local, como o caso do “Manoel Cheiroso”, um personagem do Estreito que se envolveu em uma confusão com uma mala de dinheiro de um assaltante de banco.

A entrevista completa você pode conferir no canal do YouTube da UNITVSC.