A cidade de Urussanga, no Sul de Santa Catarina, tem reafirmado sua vocação histórica ao investir na valorização da cultura vitivinícola, com destaque para a uva Goethe, variedade única no país que ganhou recentemente o selo de Denominação de Origem (DO). Segundo a secretária de Turismo, Cultura e Esporte, Vanessa Lopes, a conquista representa um marco não apenas para a economia local, mas também para a preservação do patrimônio cultural e histórico da região.
Com raízes ligadas à imigração italiana, a produção de vinho em Urussanga não é recente. No início do século XX, o município contava com uma indústria vinícola em expansão. Uma das figuras centrais desse processo foi Caruso MacDonald, italiano responsável por introduzir a uva Goethe no município. A variedade, desenvolvida originalmente nos Estados Unidos, se adaptou ao clima e ao solo da região, consolidando-se como símbolo da produção local.
Hoje, a cidade concentra os únicos 55 hectares plantados com a uva Goethe em todo o mundo, o que confere à região um diferencial competitivo no setor de vinhos finos. O reconhecimento por meio da Denominação de Origem, segundo Vanessa Lopes, é resultado de um trabalho contínuo da ProGoethe, associação que reúne produtores da uva, e do empenho do poder público e da comunidade local.
Além da valorização do vinho, Urussanga investe na preservação de edificações históricas ligadas à sua tradição vitivinícola. Duas antigas vinícolas, Cadorim e Caruso MacDonald, estão em processo de restauro ou tombamento, com apoio de legislações específicas e do patrimônio cultural catarinense. A vinícola Cadorim, por exemplo, é tombada pela Fundação Catarinense de Cultura e deve ser revitalizada, enquanto a Caruso MacDonald passa por etapas legais para ser oficialmente reconhecida como bem protegido.
Vanessa Lopes também destacou o impacto do turismo como nova matriz econômica para o município. Com quatro vinícolas em funcionamento, Trevisol, Damiani, Mazon e Denone, e novas unidades em implantação, o setor tem atraído visitantes que buscam experiências ligadas à enogastronomia, à história e à hospitalidade típica da cidade. Iniciativas como a Festa do Vinho e a Vindima Goethe têm papel central nessa estratégia de promoção turística, movimentando milhares de pessoas anualmente.
A infraestrutura para receber os visitantes também está em expansão. Urussanga conta atualmente com hotéis, pousadas e um número crescente de hospedagens em plataformas como o Airbnb. Projetos como a revitalização da Praça Central Anita Garibaldi e do Parque Municipal, além da futura Rodovia dos Mineiros, que ligará Urussanga a Lauro Müller e ao circuito dos vinhos de altitude, reforçam a meta de consolidar o município como um dos principais polos turísticos do estado.
De acordo com Vanessa Lopes, a preservação da identidade local, aliada à profissionalização do turismo e à retomada de patrimônios históricos, forma a base de um modelo de desenvolvimento sustentável, que respeita a história, promove a cultura e gera oportunidades. “Urussanga é rica em história, em sabor e em beleza. O que estamos fazendo é organizar e mostrar essa riqueza para o mundo”, conclui.






