Vinícola Villa Francioni completa 25 anos e relembra trajetória marcada por tecnologia, arte e aposta no enoturismo
Foto: Divulgação/ UNITVSC

A história da vinícola Villa Francioni, em São Joaquim, começou a ser construída ainda no fim da década de 1990, quando o empresário Manoel Dilor Freitas passou a pesquisar o potencial da Serra Catarinense para a produção de uvas e vinhos de qualidade. Em 2026, 25 anos após a fundação da vinícola, a presidente do Conselho de Administração, Daniela Borges de Freitas, relembra os primeiros passos de um projeto que também ajudou a impulsionar o enoturismo na região.

Segundo Daniela, o interesse do fundador pela produção vitivinícola surgiu após o contato com pesquisas realizadas pela Epagri, que estudava o potencial de variedades como a Cabernet Sauvignon na Serra Catarinense. A partir daí, Dilor reuniu enólogos, técnicos e arquitetos e passou a visitar importantes regiões produtoras de vinho no mundo, em busca de referências para o empreendimento.

Entre as inspirações esteve a Opus One, vinícola localizada no Napa Valley, nos Estados Unidos. A família também buscou conhecimento na França, Itália, Uruguai, Argentina e Chile, além de contar com consultoria de profissionais ligados à produção vitivinícola nos Estados Unidos.

A proposta, de acordo com Daniela, era desenvolver uma vinícola voltada à produção de vinhos de alta qualidade e, ao mesmo tempo, contribuir para o desenvolvimento do enoturismo na Serra Catarinense.

“Meu pai dizia que ele estava fazendo um projeto, um negócio que não era para ele, era para as futuras gerações. Nós, como filhos, deveríamos nos envolver com o negócio para tocar o negócio adiante”, relembra.

A fundação da Villa Francioni ocorreu em 2001. Nos anos seguintes, foram implantados os primeiros vinhedos com variedades selecionadas e trazidas da Europa. A primeira colheita ocorreu em 2004, em Bom Retiro, e, em 2005, veio a primeira produção em São Joaquim.

A vinícola foi inaugurada oficialmente em dezembro de 2005, com o lançamento dos primeiros rótulos: Chardonnay, Sauvignon Blanc e Rosé. No ano seguinte, começaram a chegar ao mercado os primeiros vinhos tintos.

Daniela conta que o processo exigiu paciência, já que a equipe ainda não tinha um histórico que permitisse saber exatamente o potencial das uvas cultivadas na região e o tempo necessário para a maturação de cada vinho.

“À medida que o tempo foi passando, essa qualidade foi se firmando, a gente foi se firmando no mercado, mas foi um esforço enorme colocar os vinhos no mercado como pioneiros”, afirma.

Tecnologia e formação profissional

Desde o início, a estrutura da Villa Francioni foi planejada com apoio de profissionais especializados. De acordo com Daniela, os primeiros funcionários contratados receberam treinamento da equipe que participou da consultoria internacional realizada durante a implantação do projeto.

A vinícola também investiu em equipamentos considerados de alta tecnologia para a época. Os tanques utilizados na produção foram adquiridos no Chile e na Argentina, com sistemas de controle de temperatura para a fermentação.

A atenção aos equipamentos chegou também ao processo de engarrafamento. Daniela recorda que a escolha da máquina foi discutida com o enólogo norte-americano Gustavo Gonzalez, que participou da implantação do projeto.

“Você pode ter a melhor uva e todo o cuidado no processo de vinificação, mas, se não tiver uma máquina de engarrafar com alta qualidade, pode estragar todo um processo”, explica.

Para a presidente do Conselho de Administração, a produção de um vinho de alta qualidade envolve uma cadeia de cuidados que começa ainda no campo e pode se estender por anos, dependendo do estilo do produto.

“O projeto da Villa Francioni foi concebido para ser um vinho da melhor qualidade possível e ser destaque a nível nacional e internacional”, afirma.

A preocupação com a formação da mão de obra também esteve presente desde o início. Daniela conta que o fundador defendia a criação de uma escola técnica de vitivinicultura na região, para preparar profissionais para uma atividade que começava a se desenvolver na Serra Catarinense.

Uma vinícola pensada para o enoturismo

Além da produção de vinhos, a Villa Francioni foi projetada desde o início para receber visitantes. A estrutura, construída em seis níveis, possui dois pavimentos subterrâneos destinados à cave, onde ficam barricas e garrafas durante o processo de amadurecimento dos vinhos.

A arquitetura também incorpora elementos ligados à sustentabilidade e à história, como iluminação natural, tijolos de demolição provenientes de olarias desativadas da região de Morro da Fumaça, vitrais antigos e uma estação de tratamento de efluentes.

De acordo com Daniela, o projeto da vinícola é sustentado por três pilares: o homem, a tecnologia e a arte.

A arte, paixão do fundador, ganhou espaço próprio na estrutura da Villa Francioni. A vinícola possui uma galeria de arte na entrada e realiza exposições periódicas. Segundo Daniela, o espaço conta com curadoria de Edson Bustamante Machado, irmão do artista plástico Jones Machado, que atua como consultor cultural e participa da escolha dos artistas e das exposições.

Assista a entrevista completa:


Esta reportagem faz parte do Estúdio de Inverno 2026, projeto dos veículos UNITVSC, portais Notisul e UNITV de Tubarão, Litoral Sul, NotíciasSC e Destaque Santa Catarina de Criciúma, e rádios Jovem Pan News de Criciúma, Araranguá e Tubarão.