Enquanto a produção industrial de alimentos avança em larga escala para atender à demanda do mercado, cresce também o debate sobre os desafios enfrentados por sistemas agrícolas sustentáveis, como a agricultura biodinâmica e a orgânica. Somente em pequenas propriedades as práticas que priorizam a saúde do solo e dos alimentos são prioridade.
Uma das soluções para esse problema é a mudança do hábito de consumo. É a chamada economia associativa, um modelo baseado na cooperação entre todos os envolvidos na cadeia produtiva – produtores, consumidores, distribuidores e comunidades, buscando equilíbrio econômico, social e ambiental, em vez de focar apenas no lucro individual.
Esse modelo fortalece o pequeno agricultor, reduz intermediários, cria preços mais equilibrados e constrói comunidades mais conectadas com a origem do alimento. Tudo isso pode ser implementado de forma simples com uma feira semanal; em países desenvolvidos já é uma realidade.
Discutir o tema será o foco do EnaBioSul 2026 – Encontro de Agricultura Biodinâmica e Orgânica do Sul, que reunirá agricultores, pesquisadores, profissionais da saúde, nutricionistas, educadores, estudantes e gestores públicos, do Brasil e de Portugal, para promover uma ampla reflexão sobre o futuro da produção de alimentos.
A inscrição é gratuita e pode ser feita clicando aqui. O encontro será no dia 1º de agosto de 2026, em formato 100% online, com o tema “Regenerar a Vida. Cultivar o Futuro: Agricultura, Educação, Saúde e Nutrição integradas”. O evento propõe integrar agricultura, saúde, educação, nutrição e comunidade, fortalecendo práticas voltadas à agricultura biodinâmica, agroecologia, agricultura regenerativa e produção orgânica.
A programação começa às 8h30 com o painel “Integração entre Agricultura, Educação, Saúde e Nutrição como Caminho para a Transformação da Terra e do Ser Humano”. O debate discutirá como a integração entre essas áreas pode contribuir para a construção de sistemas alimentares mais saudáveis e sustentáveis.
Na sequência, especialistas abordarão temas relacionados às políticas públicas, certificação da produção orgânica, sistemas participativos de garantia e estratégias para fortalecer a produção, comercialização e o consumo de alimentos saudáveis.
Durante a tarde, os participantes poderão escolher entre sete painéis temáticos simultâneos, além de outras diversas atividades que ocorrerão durante todo o dia.
TCE/SC cobra municípios sobre a Merenda Escolar
Em Santa Catarina, em novembro de 2024, o TCE/SC – Tribunal de Contas do Estado, recomendou aos municípios catarinenses que realizassem diagnósticos periódicos da produção agroecológica e orgânica, a fim de direcionarem políticas públicas específicas para esse segmento. Agora, no início de 2026, o órgão encaminhou para todos os 295 municípios do estado um questionário com o objetivo de saber se as recomendações foram acatadas.
Desde 1955 existe o PNAE – Programa Nacional de Alimentação Escolar, mas só em março deste ano que foi criado o PNAE Agroecológico que impulsiona a transição agroecológica na agricultura familiar. A principal regra é que, no mínimo, 45% dos recursos enviados pelo governo federal devem ser usados para comprar alimentos da agricultura familiar, com prioridade para itens orgânicos ou de base agroecológica para a merenda em todas as escolas do país.
O que se espera é que a regra seja cumprida, ou até mesmo superada no estado, já que em Santa Catarina são milhares de pequenas propriedades que prezam pela agricultura biodinâmica e orgânica.






