A condenação de uma mãe e de um padrasto por torturarem uma jovem com deficiência em Santa Catarina é um caso que choca. Mas, infelizmente, também comprova uma realidade que ainda recebe pouca atenção, como a violência contra pessoas em situação de maior vulnerabilidade.
Quando o agressor está dentro da própria família, denunciar é muito mais difícil. Muitas vítimas dependem justamente de quem deveria oferecer cuidado, segurança e proteção. Por isso, não basta agir apenas quando a violência vem à tona. É preciso estar atento aos sinais e fortalecer a rede de apoio.
Essa é uma causa que faz parte da minha história. Meu irmão, Edson (in memoriam), era neurodivergente, e foi convivendo com ele que compreendi os desafios enfrentados por tantas famílias. Inclusão não significa apenas garantir acesso à saúde e à educação. Significa assegurar respeito, dignidade e proteção.
Também significa entender que nenhuma família deve enfrentar essa caminhada sozinha. Informação, acolhimento e profissionais preparados fazem toda a diferença para prevenir situações de abandono, negligência e violência.
A punição para crimes como esse é necessária. Mas ela chega depois que o sofrimento já aconteceu. O verdadeiro desafio é impedir que novas vítimas passem pela mesma situação.
Proteger pessoas com deficiência e neurodivergentes não é responsabilidade apenas das famílias. É um compromisso de todos nós.
Por Leatrice Bez






