O governo federal apresentou um projeto para ampliar a faixa de isenção do Imposto de Renda (IR) a partir de 2026. Se aprovado, trabalhadores com salário de até R$ 5 mil mensais deixarão de pagar imposto, enquanto quem ganha até R$ 7,3 mil terá reduções progressivas.
De acordo com a Confirp Contabilidade, os maiores beneficiados serão os assalariados que recebem R$ 5 mil por mês, que passarão a economizar cerca de R$ 313 mensais, o equivalente a R$ 4.067 por ano — quase um 14º salário.
Quem ganha mais e quem ganha menos com a proposta
Confira os ganhos projetados:
- R$ 3,4 mil: +R$ 27,30/mês (R$ 354,89/ano)
- R$ 4 mil: +R$ 114,76/mês (R$ 1.491,89/ano)
- R$ 5 mil: +R$ 312,89/mês (R$ 4.067,57/ano)
- R$ 5,5 mil: +R$ 246,32/mês (R$ 3.202,19/ano)
- R$ 6 mil: +R$ 179,75/mês (R$ 2.336,75/ano)
- R$ 6,5 mil: +R$ 113,18/mês (R$ 1.471,31/ano)
- R$ 7 mil: +R$ 46,60/mês (R$ 605,86/ano)
- R$ 7,35 mil: zero benefício
A proposta, já aprovada em comissão especial, poderá ser votada diretamente em plenário após requerimento de urgência aprovado pela Câmara dos Deputados.
Efeitos na sociedade
Se implementada, 10 milhões de contribuintes deixarão de pagar IR em 2026. No total, mais de 26 milhões de pessoas (65% dos declarantes) seriam isentas, segundo o Ministério da Fazenda.
O ministro Fernando Haddad destacou que a mudança busca corrigir desigualdades no sistema:
“Hoje, o morador da cobertura não paga condomínio e o zelador paga. Essa é a realidade do Brasil.”
No entanto, especialistas apontam que a proposta beneficia principalmente a classe média e média alta, já que apenas 32% dos trabalhadores brasileiros têm renda acima de dois salários mínimos (atualmente isentos).
Críticas e sugestões de ajuste
Organizações como o Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) e a Oxfam Brasil consideram o projeto um avanço, mas o classificam como “tímido”. Para analistas, a principal falha é não ampliar a taxação sobre lucros e dividendos, isentos desde os anos 1990.
Estudo do economista Sérgio Gobetti (IPEA) estima que uma tributação mais robusta sobre dividendos poderia render mais de R$ 100 bilhões anuais ao país. Ele defende que os recursos sejam usados para reduzir impostos sobre o consumo, que pesam mais sobre os mais pobres.
Próximos passos
O texto tramita em regime de urgência na Câmara e precisa ser aprovado ainda em 2025 para entrar em vigor em 2026, ano de eleições presidenciais.






