As manhãs congeladas da Serra: quando a geada transforma a paisagem em Bom Jardim, São Joaquim e Urubici
Foto: Divulgação/ UNITVSC

Quem visita a Serra Catarinense durante o inverno logo descobre que o frio vai muito além dos termômetros. Nas primeiras horas da manhã, antes mesmo de o sol aparecer por completo, Bom Jardim da Serra, São Joaquim e Urubici revelam um dos cenários mais marcantes da estação: a geada, fenômeno que cobre campos, árvores, cercas, telhados e plantações com uma fina camada de cristais de gelo, mudando completamente a paisagem.

Em dias de temperaturas negativas, a rotina começa cedo. Enquanto muitos turistas ainda procuram o primeiro café quente do dia, moradores já observam a intensidade da geada para saber como será o restante da manhã. Em poucos minutos, o branco do gelo toma conta dos gramados e transforma áreas rurais e urbanas em cenários que atraem fotógrafos, visitantes e apaixonados pelo inverno de diferentes regiões do país.

A formação da geada acontece quando a temperatura próxima ao solo cai abaixo de 0°C, fazendo com que o vapor d’água presente no ar se transforme diretamente em cristais de gelo sobre as superfícies. O resultado é um espetáculo silencioso que dura apenas algumas horas, até que os primeiros raios de sol comecem a derreter lentamente o gelo.

Cada município vive esse fenômeno de forma particular. Em São Joaquim, as geadas costumam cobrir os vinhedos e os pomares de maçã, criando imagens que se tornaram símbolo do inverno catarinense. Em Urubici, os vales, montanhas e campos ganham novos contornos sob o gelo, enquanto mirantes e áreas abertas recebem visitantes logo ao amanhecer, em busca do melhor registro da paisagem.

Já em Bom Jardim da Serra, onde estão algumas das menores temperaturas do Brasil, as áreas rurais frequentemente amanhecem completamente esbranquiçadas, reforçando a fama da cidade como um dos destinos mais frios do país.

Para quem vive na serra, porém, a geada representa muito mais do que beleza. Ela faz parte da rotina e exige planejamento. Agricultores acompanham atentamente as previsões meteorológicas para proteger lavouras mais sensíveis, enquanto produtores rurais redobram os cuidados com os animais durante as madrugadas mais rigorosas.

O frio intenso influencia desde o trabalho no campo até a forma como as famílias organizam o dia, com fogões a lenha, lareiras e chimarrão ajudando a enfrentar as baixas temperaturas.

Ao mesmo tempo, esse cotidiano desperta a curiosidade de quem visita a região. Caminhar sobre a vegetação congelada, observar o vapor da respiração em meio ao frio intenso e acompanhar o brilho dos cristais refletindo os primeiros raios de sol são experiências que dificilmente se repetem em outras partes do Brasil.

Mais do que um fenômeno meteorológico, a geada tornou-se parte da identidade da Serra Catarinense. Ela marca o ritmo das manhãs de inverno, movimenta o turismo, inspira fotógrafos e reforça a relação dos moradores com um clima que molda paisagens, tradições e modos de vida.

Em Bom Jardim da Serra, São Joaquim e Urubici, cada amanhecer gelado é um convite para contemplar uma das expressões mais marcantes da natureza no Sul do país.


Esta reportagem faz parte do Estúdio de Inverno 2026, projeto dos veículos UNITVSC, portais Notisul e UNITV de Tubarão, Litoral Sul, NotíciasSC e Destaque Santa Catarina de Criciúma, e rádios Jovem Pan News de Criciúma, Araranguá e Tubarão.