Deputados e senadores de oposição ocuparam os plenários da Câmara e do Senado e pernoitaram nos locais entre a noite de terça-feira (5) e a madrugada desta quarta-feira (6). A ação teve como objetivo impedir a retomada dos trabalhos legislativos e protestar contra a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro, decretada na última segunda-feira (4).
A maioria dos parlamentares envolvidos pertence ao Partido Liberal (PL). O grupo se revezou durante a madrugada para manter a ocupação das mesas diretoras, inviabilizando as sessões do Congresso.
A oposição exige a votação de uma proposta de anistia geral e irrestrita aos condenados por envolvimento na tentativa de golpe de Estado, além do pedido de impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, relator do processo contra Bolsonaro. O ex-presidente é acusado de conspirar para anular as eleições de 2022 e articular ações contra instituições democráticas, o que inclui supostos planos de prisão ou assassinato de autoridades. Ele nega as acusações.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente, foi um dos parlamentares que passou a noite no Congresso. Em uma rede social, ele afirmou que a ocupação visa pressionar pela votação de temas “melhores para o Brasil”.
Segundo Flávio, uma das pautas defendidas pela oposição poderia, inclusive, ajudar a reduzir tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, justificadas por Washington pelo envolvimento de Bolsonaro na tentativa de golpe.
Impacto em pautas do governo
A ocupação dos plenários suspendeu votações importantes para o governo e para a população. Uma delas é o projeto que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda. A proposta foi aprovada na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado e aguarda votação em plenário.
O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ), criticou duramente a ação da oposição. “Isso é chantagem para livrar Bolsonaro. Dez milhões de pessoas perdem por causa deles”, escreveu nas redes sociais.
Reação dos presidentes da Câmara e do Senado
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), cancelou a sessão de terça-feira (5) e convocou uma reunião de líderes para esta quarta-feira (6) com o objetivo de negociar a liberação das mesas.
No Senado, o presidente Davi Alcolumbre (União-AP) classificou a ocupação como “inusitada e alheia aos princípios democráticos”. Ele também marcou uma reunião com lideranças partidárias para buscar uma solução pacífica e retomar os trabalhos legislativos.






